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sexta-feira, 26 de agosto de 2022
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
O LADRÃO livre foi um tiro no pé veja o desespero da PETRALHADA
Claro que os petistas já perceberam que a soltura de Lula seria um fiasco. A estratégia falhou. Eles pensaram que Lula botaria fogo no país, voltaria a mobilizar as massas, e ressurgiria como a Fênix de Garanhuns. Ledo e mortal engano. A soltura do bandido mostrou aos petistas a face mais cruel da realidade: o desprezo do povo pelo ex-presidente LADRÃO. Lula, hoje, é carregado por um punhado de puxa sacos pelo país, como um cadáver putrefato, fedorento, que as pessoas sentem náusea ao avistar.
A figura do LADRÃO causa repulsa, nojo, asco, na maioria do povo. Seus discursos não conseguem reunir um número minimamente decente de pessoas, nem na internet, e ainda por cima, têm de aguentar os protestos e xingamentos de muitos (fora a já tradicional CHUVA DE OVOS).
A desmoralização é total, e os petistas notaram isso. Estão estupefatos, pois o choque de realidade foi grande demais. Agora, estão sem saber o que fazer com a carcaça pútrida. Preso, ainda tinha alguma relevância, por conta do discurso vitimista. Solto, perdeu tudo, até mesmo a narrativa mentirosa de preso político.
Mas, a vida segue. Rei morto, rei posto. Afinal, agora, o Sistema aceitou que não pode mais contar com uma hipotética ressurreição de Lula.
Então agora, eles têm um problema: quem poderia substituir o LADRÃO na batalha pelas eleições de 2022? O Sistema não consegue encontrar alguém na centro esquerda ou mesmo no Centrão, que seja páreo para Bolsonaro. Na esquerda, Ciro Gomes não tem mais relevância. Maia? Uma piada! Huck? Pior ainda!
Calcinha Atolada? Suicidou politicamente!
A esperança era Lula. Lula não existe mais. Poderiam apelar para um plano B, mas a verdade é que também não existe um plano B. O desespero é grande. A tendência é que, se não encontrarem um nome forte, terão de aguentar a reeleição de Bolsonaro, e, ainda o ver fazendo um sucessor. O golpe seria duro demais.
Pior para o Sistema composto por vermes que infestam e aparelham todo o testamento político e burocrático, e que terminarão morrendo à míngua. Melhor para os patriotas e pessoas de bem, deste país.
São novos tempos…Graças a Deus!
Texto de Devacir Carneiro
terça-feira, 23 de agosto de 2022
Um dia triste para o jornalismo
Os ativismos de William Bonner e Renata Vasconcellos
transformaram a "entrevista" na TV Globo em um tribunal de
inquisição. Bolsonaro faz gol de bicicleta elogiando os ex-ministros candidatos
e deixa entrevistadores com cara de bobos.
Por Cláudio Magnavita*
Gostando ou não de Jair Bolsonaro, quem assistiu o que seria
uma entrevista com um Presidente da República, que disputa a reeleição, viu ela
se transformar em um tribunal de inquisição. Renata Vasconcellos e William
Bonner estavam visivelmente treinados para provocar Jair Bolsonaro e levá-lo a
algum rompante intempestivo, atingido o objetivo de produzir manchetes para a
mídia de oposição.
Só que, desta vez, o Bolsonaro na bancada do JN era bem
diferente do candidato de 2018. Eles estavam entrevistando um chefe de estado,
o presidente da República Federativa do Brasil, fato que a dupla ignorou o
tempo todo, até a derrapagem de Vasconcellos, que o chamou de Presi… logo
corrigindo para candidato. Traquejado e como líder da nação, Bolsonaro agiu
como um estadista. Respeitou o tempo, os entrevistadores e não atacou a Globo.
Cumpriu o seu objetivo de fio a pavio. Já os dois entrevistadores,
especialmente o William, foi de uma soberba constrangedora. Ria jocosamente,
colocava o dedo indicador ofensivamente na frente e interrompia o entrevistado.
Se fossem cronometradas as intervenções do casal, pode vir a ser constatado que
os dois falaram um tempo quase equivalente ao do candidato.
Tentaram desconstruir a figura do Presidente, pescando
frases e expressões folclóricas fora de um contexto. Agiram como crucificadores
debochados, procurando cravar o prego em cada possível incoerência entre o que
se falou e do que foi feito. Erraram feio. Bolsonaro, presidente e enfrentando
a missão de administrar o país com uma pandemia, seca e guerra e uma facada, o
transformou em uma pessoa insone e com enorme peso nos ombros. A sua frase mais
lapidar resume este cenário: "é diferente do que você quer fazer, do que
você pode fazer". Falou com responsabilidade.
Outra grande diferença foi ignorar as provações quase
colegiais da dupla global e dar números e resultados do governo. Ele teve o que
contar e relatar o que fez.
Cada vez que Bolsonaro decolava nas suas assertivas, os dois
se desesperavam e tentavam cortá-lo e voltar às perguntas de picuinhas. Com uma
audiência de milhões de brasileiros, turbinada pelo apoio da militância
bolsonarista, eles ficaram só no ataque e não falaram do Brasil que vai sair
das urnas. Estavam tão encruados em desconstruir o presidente que se esqueceram
de perguntar sobre os planos de governo para um próximo mandato. Cometeram aí
um grande pecado. Chamava-o de candidato e todas, todas as perguntas mesmo,
eram feitas sobre os quatro anos de Governo. Foi o tribunal de inquisição do
Presidente da República.
Quem assistiu percebeu que a Globo, e o experiente editor
William Bonner, jogou fora a oportunidade de resgatar valores do bom
jornalismo, sem ativismo. Não é sem razão que a credibilidade do jornalismo da
Rede Record e da Bandeirantes superam a Globo já há algum tempo. A
credibilidade foi jogada no lixo. De forma premonitória, o Correio da Manhã
publicou em manchete que a entrevista iria revelar o antagonismo da Globo
contra Bolsonaro. Foi exatamente este ponto que tomou conta das redes sociais. Foi
um dia triste para o jornalismo e, sem dúvida, um dia que Renata Vasconcellos e
William Bonner rasgaram seus diplomas e colocaram no pescoço o colar dos
inquisidores medievais. Já Bolsonaro deixou a Globo exatamente como entrou: com
a altivez de um presidente ungido pelas urnas e que respeitará eleições limpas.
Finalmente, para quem entende de política, mereceu aplauso a
sapiência de Bolsonaro de ignorar as provocações e fazer desfilar a lista de
ministros candidatos, como Tereza Cristina, Tarcísio de Freitas e Gilson
Machado, que ganhou mais tempo. O Jornal Nacional deu a oportunidade de
alavancar estas candidaturas e defender a participação da maioria parlamentar
ao lado do Presidente. Neste momento de sabedoria política, Renata e Bonner
ficaram com cara de bobos. Bolsonaro fez um Gol de bicicleta na frente dos dois
inquisidores.
*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã
* * *
domingo, 21 de agosto de 2022
A LUTA CONTINUAVA – Carlos Pereira Filho
Nesse tempo, Henrique Alves negociava na “Loja Sempre-Viva”,
na estrada do Banco da Vitória. Já se falava que ele além de corajoso, era
homem duro; quando não gostava das coisas opunha o seu veto “à moda inglesa”.
A “Gazeta
de Ilhéus” publicou como escândalo o bárbaro assassinato de José Grande.
Assassinado, castrado, cortada a língua, retalhado aos pedaços e queimado numa
estufa. O jornal bradava pedindo providências, clamando justiça, sem todavia
anunciar o nome do mandante do crime. Dizia em letras grandes ”O mandante deste
bárbaro crime, deste miserável assassinato, é demasiadamente conhecido, reside
à beira da estrada, é protegido da situação dominante. A polícia precisa punir
esse monstro, que mata, que castra, que tripudia sobre o corpo de sua vítima
vencida, morta”.
Quinze
dias depois da notícia, depois do alarma, apareceu, em Ilhéus, no jornal,
acompanhando José Grande, em pessoa, vivo e fagueiro, Henrique Alves.
Apresentou ao redator Laudelino Pimentel o José Grande, que fora assassinado,
castrado... E explicou o equívoco. José Grande estava foragido no Estreito
d’Água, morando lá. Tinha estado evidentemente em sua fazenda, preso, roçando
um pasto, para pagar uma dívida. À noite fugiu, desapareceu e se não fosse “ter
morrido” tão barbaramente, o teria deixado onde se encontrava no “Estreito
d’Água”...
Em
Tabocas, a luta continuava forte, apaixonada, desassistida do Poder Público
ilheense. Firmino Alves publicou um protesto enérgico no “Jornal de Notícias”,
de Salvador, no qual alegava que, em 1879, quando Tabocas possuía somente oito
casas, seu pai pedira uma escola a Domingos Lopes e este nomeara o Professor
Joaquim Marcelino que foi o primeiro mestre do povoado. Agora solicitava
escolas e nem resposta. Os dominadores de Ilhéus só queriam impostos e
humilhação ao povo.
A resposta
a esse atrevimento não se fez esperar. A residência de Firmino Alves e dos seus
amigos Paulino Vieira Nascimento, Teófano Correia e Lúcio Pereira de Santa Rosa
foram atacadas a tiros de revólver, tendo uma bala quebrado um vidro da janela
da casa de Firmino Alves, considerada um palacete, naquele tempo.
Também os
índios davam investidas, no interior. De Macuco, Cândido Pinto informava que os
índios flecharam uma moça de nome Zenosinda, em cima dos rins, quando lavava
roupa no rio, e que estava mal.
E dias
depois chegava ao distrito a notícia do assassinato de Cândido Pinto apontado
como um dos matadores de João Carlos Hohlenverger, de Ilhéus. Estava Cândido
Pinto sentado depois do jantar na porta com uns amigos que foram à festa do
batizado do seu filho, naquele dia tranquilamente conversando, quando
inesperadamente recebeu um tiro, fechou os olhos e morreu.
Outros
dois novos acontecimentos se registraram em Tabocas, em contraste com os dias
agitados. A chegada de Augusto Juvenal para a agência dos correios, arranjada
por Firmino Alves, através dos amigos de Salvador, e a visita de Bento Berilo
de Oliveira, que examinava as possibilidades da construção da estrada de ferro,
da qual era concessionário.
Rezam as
crônicas que Bento Berilo se espantou de ver tanta gente armada numa terra de
trabalho e de progresso, que naquele tempo possuía um comércio superior ao da
cidade ilheense, registando mais de cento e cinquenta casas comerciais e
seiscentas e cinquenta de morada, com uma população calculada em cinco mil
pessoas. Uma localidade que se projetava a passos acelerados, rumo a um futuro
promissor, com a produção de cem mil sacos de cacau.
(TERRAS DE ITABUNA – Cap. IX)
Carlos Pereira Filho
sexta-feira, 19 de agosto de 2022
O Comilão
Cyro de Mattos
Era um comilão incorrigível. Não passava um dia em que não comesse
por quatro vezes um prato fundo com uma comida apetitosa. Insaciável, constante.
Quando não tinha dinheiro para fazer uma merenda no restaurante, que constava
de um prato fundo com a iguaria farta, vestia a roupa maltrapilha, de pés
descalços, saía para a rua, pedindo, clamando aos transeuntes por um dinheirinho
para comprar alguma coisa, estava se esvaindo de tanto passar fome.
- Um dinheirinho, moço, ainda não comi hoje.
Apertou a barriga com uma cinta de compressão para não dar
na vista que estava com a pança estufada, armazenada de comidas várias.
O bigodudo homem sisudo respondeu:
- Dou-lhe dinheiro grande pra comprar um prato fundo de
comida, se você morder essa pedra e mostrar que está de fato faminto.
Arregalou os olhos, a proposta vinha em boa hora da fome impiedosa.
Prontamente mordeu a pedra como se fosse
um pedaço de carne, bem temperado, refogado no arroz gostoso. Voou da boca
dentes para todos os lados. Cuspiu sangue, deu um grito lancinante. Ficou
chorando, ui, ui, quebrei meus dentes, meu Deus, me socorre, que vou dar um
troço!
De agora em diante passou a ser um comilão mais comedido,
sem farsa nem artimanha.
Fazia apenas duas refeições modestas, diariamente. Não
queria correr o risco de perder a dentadura nova, paga em dez prestações, com
sacrifício do que recebia da aposentadoria modesta.
Cyro de Mattos,
***
A PAIXÃO SEGUNDO CONY - Marco Lucchesi
A Paixão segundo Cony
Li de uma só vez, com duas pausas, se muitas, da
madrugada ao amanhecer, o romance póstumo do inquieto e fascinante Carlos
Heitor Cony. Como quem descobre uma carta não enviada, perdida numa
gaveta entreaberta, sem destinatário – a todos e ninguém –,
consignado, muito embora, o remetente, num jogo de espelhos remissivos.
Faltou pouco para escoimar uma e outra parte, cortes e acréscimos, como
deixou claro, na última revisão, suspensa em 2005, através de um
movimento pendular: frontal e irresoluto, áspero e compassivo. Acenos de
utopia e desencanto, estrela e solidão, no céu escuro deste século.
Livro que flui para o leitor, na lisa superfície da narrativa, mas
que se escreve sob dura condição, áspera e irregular. Legato que
repousa na soma de staccati.
Se a intenção do autor não atinge a totalidade que
impôs a seus papéis – crítico feroz –, a intenção da obra resulta compacta
e orgânica. Diria mesmo autossustentável. Entre as duas intenções, da obra e do
autor, é privilégio de quem lê discernir os domínios da reta e o pontilhado, o
que podia ter sido e o que ficou, na matéria verbal, na música do pensamento. A
última parte, quando cresce a tensão entre ato e potência, surge como
plano-piloto ou diário das personagens, na translúcida beleza, de que cada
fragmento é portador.
A potência de Cony, feita de rocha e magma, segue
irrefutável. O estilo firme, castigado, objetivo. Corte nervoso, dicção
poética. A Paixão é romance de sabor carioca, erudito e popular, sem
linhas divisórias. Vila Isabel, Gávea, Alto da Boa Vista. Cidade que remete a
um programa literário, entre Lima Barreto e Machado de Assis. A rua e o
seminário. Os delírios de Brás Cubas e Policarpo incidem no sonho de
Mateus, não importa se de olhos abertos ou fechados, com deslocamento de
planos, pontos de vista flutuantes, desejos e figuras. Texto primoroso, de
conteúdo latente, que avança, e retrocede, segundo o índice do mistério da
iniquidade, autêntico motor de sua ficção, base de sua razão existencial.
Cony jamais renunciou à dúvida metódica, ao entrechoque do
novo com o antigo, mas sem querelas inúteis: sagrado e profano, utopia e
distopia, Roma tropical, encarnada no Rio, e a outra, latina e metafísica,
segundo uma deriva necessária. Esse entrechoque deu-lhe o sal da rebeldia,
recusa e adesão. Sic et Non, podia ser o seu mote. Sentinela da noite
e dos sentidos: “cuidar do estilo, mantendo unidade da primeira parte, ou
preferir uma incursão declarada ao estilo misterioso e potente das duas
introduções finais, do Orto e do Deserto”. Isto e aquilo, a revisão em
processo, a uni- dade da escrita e o capítulo tomista, aquele da unidade,
ferido, todavia, pelo mistério.
Não faltam hipóteses para explicar a reserva do autor sobre
o romance e sua adesão aos véus do silêncio. Importa referir, contudo, que o
mérito de vir a público é todo de Regina Cony, que tomou a sábia decisão no
auge da pandemia, de publicá-lo. Não como preito restrito à memória do autor,
mas como quem enriquece a literatura brasileira, pela força imanente da paixão,
que é de Cony e de Mateus.
Jornal de Letras de Lisboa, 27/07/2022
https://www.academia.org.br/artigos/paixao-segundo-cony
Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila , foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018, 2019, 2020 e 2021.
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