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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

10 DE AGOSTO –Dia de Jorge Amado

Cacau 

No sul da Bahia cacau é o único nome que soa bem. As roças são belas quando carregadas de frutos amarelos. Todo princípio de ano os coronéis olham o horizonte e fazem as previsões sobre o tempo e sobre a safra. E veem então as empreitadas com trabalhadores. A empreitada, espécie de contrato para colheita de uma roça, faz-se em geral com os trabalhadores, que, casados, possuem mulher e filhos. Eles se obrigam a colher toda uma roça e podem alugar trabalhadores para ajudá-los. Outros trabalhadores, aqueles que são sozinhos, ficam no serviço avulso. Trabalham por dia e trabalham em tudo. Na derruba, na juntagem no cocho e nas barcaças. Esses formavam uma grande maioria. Tínhamos três mil e quinhentos por dia de trabalho, mas nos bons tempos chegaram a pagar cinco mil-réis.

Partíamos pela manhã com as compridas varas, no alto das quais uma pequena foice brilhava ao sol. E nos internávamos cacauais adentro para a colheita. Na roça que fora de João Evangelista, uma das melhores da fazenda, trabalhava um grupo grande. Eu, Honório, Nilo, Valentim e uns seis mais, colhíamos. Magnólia, a velha Júlia, Simeão, Rita, João Grilo e outros juntavam e partiam os cocos. Ficavam aqueles montes de caroços brancos de onde o mel escorria. Nós da colheita nos afastávamos uns dos outros e mal trocávamos algumas palavras. Os da juntagem conversavam e riam. A tropa de cacau mole chegava e enchia os cacauais. O cacau era levado para o cocho para os três dias de fermento. Nós tínhamos que dançar sobre os caroços pegajosos e o mel aderia aos nossos pés. Mel que resistia aos banhos e ao sabão massa. Depois, livre do mel, o cacau secava ao sol, estendido nas barcaças. Ali também dançávamos sobre ele e cantávamos. Os nossos pés ficavam espalhados, os dedos abertos. No fim de oito dias os caroços de cacau estavam negros e cheiravam a chocolate. Antônio Barriguinha, então, conduzia sacos e mais sacos para Pirangi, tropas de quarenta e cinquenta burros. A maioria dos alugados e empreiteiros só conhecia do chocolate aquele cheiro parecido que o cacau tem.

Quando chegavam ao meio-dia (o sol fazia de relógio), nós parávamos o trabalho e nos reuníamos ao pessoal da juntagem para a refeição. Comíamos o pedaço de carne seca e o feijão cozido desde pela manhã e a garrafa de cachaça corria de mão em mão.

Estalava-se a língua, e cuspia-se um cuspe grosso. Ficávamos conversando sem ligar para as cobras que passavam, produzindo ruídos estranhos nas folhas secas que tapetavam completamente o solo. Valentim sabia histórias engraçadas, e contava para a gente. Velho de mais de setenta anos, trabalhava como poucos e bebia como ninguém. Interpretava a Bíblia a seu modo, inteiramente diverso dos católicos e protestantes. Um dia contou-nos o capítulo de Caim e Abel:

- Vosmecês não sabe? Pois tá nos livros.

- Conte, véio.

- Deus deu de herança e Caim e Abel uma roça de cacau pra eles dividirem. Caim que era home mau, dividiu a fazenda em três pedaços. E disse a Abel: esse primeiro pedaço é meu. Esse do meio meu e seu. O último, meu também. Abel respondeu: não faça isso meu irmãozinho, que é uma dor do coração... Caim riu: ah! é uma dor do coração? Pois então tome. Puxou do revólver e - pum - matou Abel com um tiro só. Isso já foi há muitos anos...

- Caim deve ser avô de Mané Frajelo.

- Anda. A avó de Mané Frajelo era rapariga no Pontal.

- Você sabe, Honório?

- Sei. A mãe morreu de fome quando não pôde mais trepar com home. O fio nem aí...

- Miserave.

- Mas ele tinha vergonha da mãe.

- Mãe dele...


(Cacau, 1933.)

https://www.academia.org.br/academicos/jorge-amado/textos-escolhidos

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Jorge Amado - Quinto ocupante da Cadeira 23, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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terça-feira, 9 de agosto de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Medicamentos Não Encontrados em Farmácias

 


Medicamentos Não Encontrados em Farmácias:

 

01. Exercício físico é remédio.

02. Jejum é remédio

03. Comida natural é remédio.

04. Rir é remédio

05. Legumes são remédios.

06. Sono é remédio.

07. Luz do sol é remédio.

08. Amar alguém é remédio.

09. Ser amado é remédio.

10. Gratidão é remédio.

11. Deixar de lado a ofensa é remédio.

12. Meditação é remédio.

13. Ler e estudar a Palavra de Deus é remédio.

14. Cantar e louvar a Deus é remédio.

15. Comer bem e na hora certa é remédio.

16. Pensar direito e pensar bem com o estado de espírito certo é remédio.

17. Confiar e acreditar em Deus é remédio.

18. Bons amigos são remédios.

19. Ser perdoado e perdoar aos outros é remédio.

 

Utilizando esses medicamentos suficientemente, raramente precisará dos remédios de farmácia.

 

(Autor desconhecido)

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sábado, 6 de agosto de 2022

ALMAS MORTAS - Luíz Gonzaga Dias

 



Almas Mortas

Luiz Gonzaga Dias

 

Quem nunca amou, nunca sofreu. Não sabe,

 A dor que na alegria se resume.

Todo o prazer que no espírito cabe,

A tortura infernal que vem do ciúme.

 

Ao amor, na taba ou no serralho, árabe

Nem a velhice serve de tapume.

E a beleza que sem amor se acabe,

É comparada à rosa sem perfume.

 

Doce tormenta que aliena o juízo,

Metamorfoseia a vida em paraíso,

Para o infinito transportar destinos.

 

Coração sem amor – culto sem hinos!

Existência sem cor, sem vibração, perdida...

– Nunca viveu quem nunca amou na vida!

 

 

(CANÇÕES DE MINHA TERNURA)

Luiz Gonzaga Dias


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Ricardo Boechat entrevista Jô Soares

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Sofá Mata?



Sofá mata?

 

Curiosamente, 50% dos ossos de uma pessoa e 50% dos músculos estão nas duas pernas. Anda

As maiores e mais fortes articulações e ossos do corpo humano também estão nas pernas. 3-7k passos/dia

Ossos fortes, músculos fortes e articulações flexíveis formam o Triângulo de Ferro que carrega a carga mais importante, ou seja, o corpo humano.

70% da atividade humana e queima de energia na vida é feita pelos dois pés.

Você sabe disso?  Quando uma pessoa é jovem, suas coxas têm força suficiente para levantar um carro pequeno de 800 kg!

O pé é o centro de locomoção do corpo.

Ambas as pernas juntas têm 50% dos nervos do corpo humano, 50% dos vasos sanguíneos e 50% do sangue flui através deles. É a maior rede circulatória que conecta o corpo.

Então caminhe diariamente.

Somente quando os pés estão saudáveis, a corrente convencional do sangue flui suavemente, então as pessoas que têm músculos fortes nas pernas definitivamente terão um coração forte. Caminhe.

O envelhecimento começa dos pés para cima À medida que uma pessoa envelhece, a precisão e a velocidade de transmissão de instruções entre o cérebro e as pernas diminuem, ao contrário de quando uma pessoa é jovem.  Por favor, caminhe.

Além disso, o chamado Adubo Ósseo Cálcio mais cedo ou mais tarde se perderá com o passar do tempo, tornando os idosos mais propensos a fraturas ósseas.

As fraturas ósseas em idosos podem facilmente desencadear uma série de complicações, principalmente doenças fatais como a trombose cerebral.

Você sabe que 15% dos pacientes idosos geralmente morrem no máximo dentro de um ano de uma fratura do osso da coxa?  

Caminhe diariamente sem falhar. Exercitar as pernas, nunca é tarde, mesmo depois dos 60 anos.

Embora nossos pés/pernas envelheçam gradualmente com o tempo, exercitar nossos pés/pernas é uma tarefa para toda a vida.

Andar 3000-7000 passos Somente fortalecendo regularmente as pernas, pode-se prevenir ou reduzir o envelhecimento.  Caminhada 365 dias

Caminhe por pelo menos 30-40 minutos diariamente para que suas pernas recebam exercícios suficientes e para garantir que os músculos das pernas permaneçam saudáveis.

Você deve compartilhar essas informações importantes com todos os seus amigos e familiares com mais de 40 anos, pois todos estamos envelhecendo diariamente.

SOFÁ MATA!...

 

(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

 

UMA FIGURA DE AVENTUREIRO – Carlos Pereira Filho

 


            A notícia correu de boca em boca. O tenente que foi preso, no Posto Indígena, regressou com os soldados, desarmados e humilhados. As armas ficaram em poder dos comunistas, dizia o tenente, que são muitos e se acham entrincheirados.

          Todo mundo rumou para o quartel para ver a cara avacalhada do tenente Salatiel e os seus soldados, mas o quartel estava impedido com sentinelas de armas na mão. Um murmúrio se espalhava no seio da multidão, através de comentários de todos os feitios e para todos os sabores.

            Na farmácia do Tourinho, sentado num banco, Henrique Félix contava ao farmacêutico e a Carlos Sousa o que acabava de saber: que tinha chegado uma força do Governo para seguir rumo o Posto Indígena. Havia desembarcado no cais de Ilhéus e no dia imediato se transportaria para o campo de operação. Também narrou, pedindo reservas, mais uma das do doutor Coriolano Antunes. A família do fazendeiro, que ele mandara prender como comunista, mulher e sete filhos menores havia procurado o Dr. Coriolano. A mulher se ajoelhara aos seus pés e pediu pelo amor de Deus que mandasse soltar o seu marido. Confessou eu há dias ela e os filhos não comiam nem dormiam. Tivesse paciência, fosse bom, providenciasse a liberdade do marido. Ele não havia praticado nenhum mal, nunca foi comunista, nem sabia que diabo significava comunismo.

            O Dr. Coriolano, fumando um charuto barato, com uma cara achinesada e um cabelo de pastinha caído na testa, disse à mulher, fingindo sentimento, “que não podia fazer coisa alguma, a situação estava negra, em estado de guerra, com garantias constitucionais suspensas. Tinha pedido à polícia que não maltratasse o preso, seu vizinho, seu compadre, que prezava tanto. Não havia outro jeito senão aguardar com paciência o tempo passar. E depois, com aquele movimento do Posto Indígena, as coisas pioravam, falavam até em fuzilamento.”

            Novo berreiro da mulher, dos filhos. Novo apelo. Pelo amor de Deus, salvasse o marido, daria tudo pelo sua salvação, até a roça que era o pão daquelas crianças. Ao ouvir a palavra “da roça”, o Dr. Coriolano estremeceu. A caça estava chegando para o alvo mansamente, sem suspeitar de nada.

            E quando a comadre, depois de despedir-se ia saindo, com lágrimas nos olhos, o dr. Coriolano chamou-a e disse: - Vá à cadeia, tome aqui esta carta, comunique ao seu marido que tem de vender a fazenda senão ele será condenado como comunista e fuzilado.

            A mulher foi e encontrou o marido sentado, junto a outros presos. Narrou-lhe todo o episódio e a solução que ela e ele tinham de tomar para se livrarem daquela triste situação. O marido acabrunhado concordou. O irmão havia-lhe aconselhado a mesma coisa. Somente, agora, estava compreendendo a razão da sua detenção. Vendeu a roça miseravelmente barata ao próprio dr. Coriolano, que ainda ficou com uma parte do dinheiro, para mandar o delegado rasgar o processo e que jamais entregou ao delegado.

            Esses são os bons, concluiu Henrique Félix. Esse doutor foi o cidadão mais ladrão que apareceu nestas terras. E ainda tem defeitos piores, gosta das mulheres dos outros, adianta-se com as mocinhas e fala mal de todo o mundo, ataca a honestidade de toda a gente.

            Tourinho, que até então se conservava calado, pigarreou e falou: - Esse sujeito, quando chegou nesta terra, era um morto a fome, recebia consultas de vinte cruzeiros e ainda exigia comissão nas receitas.

            Mas, reatando o fio dos acontecimentos, no dia seguinte chegou a tropa do governo. Centenas de soldados, passaram para Itapé, rumo ao Posto Paraguaçu. O ataque foi cerrado e violento. O Posto foi cercado por todos os lados e atrocidades se cometeram de toda sorte. Mortos e feridos a granel. Os chefes do movimento fugiram para Minas Gerais e a paz voltou a reinar no município.

            Dos tristes noticiários espalhados pela imprensa do País, com os devidos exageros, as responsabilidades caíram nas costas do interventor federal Juraci Magalhães e dos governantes seus auxiliares.

             O dr. Coriolano ganhou a batalha, alargou os seus domínios no Posto Paraguaçu e “comprou” a fazenda de cacau, do compadre que mandou meter na cadeia como comunista.

            E ainda ficou com o gadinho dos comunistas corridos do Colônia, seus vizinhos de fazenda.

 

(TERRAS DE ITABUNA – Cap. XXV)

Carlos Pereira Filho

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