Total de visualizações de página

terça-feira, 9 de agosto de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Medicamentos Não Encontrados em Farmácias

 


Medicamentos Não Encontrados em Farmácias:

 

01. Exercício físico é remédio.

02. Jejum é remédio

03. Comida natural é remédio.

04. Rir é remédio

05. Legumes são remédios.

06. Sono é remédio.

07. Luz do sol é remédio.

08. Amar alguém é remédio.

09. Ser amado é remédio.

10. Gratidão é remédio.

11. Deixar de lado a ofensa é remédio.

12. Meditação é remédio.

13. Ler e estudar a Palavra de Deus é remédio.

14. Cantar e louvar a Deus é remédio.

15. Comer bem e na hora certa é remédio.

16. Pensar direito e pensar bem com o estado de espírito certo é remédio.

17. Confiar e acreditar em Deus é remédio.

18. Bons amigos são remédios.

19. Ser perdoado e perdoar aos outros é remédio.

 

Utilizando esses medicamentos suficientemente, raramente precisará dos remédios de farmácia.

 

(Autor desconhecido)

* * *

sábado, 6 de agosto de 2022

ALMAS MORTAS - Luíz Gonzaga Dias

 



Almas Mortas

Luiz Gonzaga Dias

 

Quem nunca amou, nunca sofreu. Não sabe,

 A dor que na alegria se resume.

Todo o prazer que no espírito cabe,

A tortura infernal que vem do ciúme.

 

Ao amor, na taba ou no serralho, árabe

Nem a velhice serve de tapume.

E a beleza que sem amor se acabe,

É comparada à rosa sem perfume.

 

Doce tormenta que aliena o juízo,

Metamorfoseia a vida em paraíso,

Para o infinito transportar destinos.

 

Coração sem amor – culto sem hinos!

Existência sem cor, sem vibração, perdida...

– Nunca viveu quem nunca amou na vida!

 

 

(CANÇÕES DE MINHA TERNURA)

Luiz Gonzaga Dias


* * *

Ricardo Boechat entrevista Jô Soares

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Sofá Mata?



Sofá mata?

 

Curiosamente, 50% dos ossos de uma pessoa e 50% dos músculos estão nas duas pernas. Anda

As maiores e mais fortes articulações e ossos do corpo humano também estão nas pernas. 3-7k passos/dia

Ossos fortes, músculos fortes e articulações flexíveis formam o Triângulo de Ferro que carrega a carga mais importante, ou seja, o corpo humano.

70% da atividade humana e queima de energia na vida é feita pelos dois pés.

Você sabe disso?  Quando uma pessoa é jovem, suas coxas têm força suficiente para levantar um carro pequeno de 800 kg!

O pé é o centro de locomoção do corpo.

Ambas as pernas juntas têm 50% dos nervos do corpo humano, 50% dos vasos sanguíneos e 50% do sangue flui através deles. É a maior rede circulatória que conecta o corpo.

Então caminhe diariamente.

Somente quando os pés estão saudáveis, a corrente convencional do sangue flui suavemente, então as pessoas que têm músculos fortes nas pernas definitivamente terão um coração forte. Caminhe.

O envelhecimento começa dos pés para cima À medida que uma pessoa envelhece, a precisão e a velocidade de transmissão de instruções entre o cérebro e as pernas diminuem, ao contrário de quando uma pessoa é jovem.  Por favor, caminhe.

Além disso, o chamado Adubo Ósseo Cálcio mais cedo ou mais tarde se perderá com o passar do tempo, tornando os idosos mais propensos a fraturas ósseas.

As fraturas ósseas em idosos podem facilmente desencadear uma série de complicações, principalmente doenças fatais como a trombose cerebral.

Você sabe que 15% dos pacientes idosos geralmente morrem no máximo dentro de um ano de uma fratura do osso da coxa?  

Caminhe diariamente sem falhar. Exercitar as pernas, nunca é tarde, mesmo depois dos 60 anos.

Embora nossos pés/pernas envelheçam gradualmente com o tempo, exercitar nossos pés/pernas é uma tarefa para toda a vida.

Andar 3000-7000 passos Somente fortalecendo regularmente as pernas, pode-se prevenir ou reduzir o envelhecimento.  Caminhada 365 dias

Caminhe por pelo menos 30-40 minutos diariamente para que suas pernas recebam exercícios suficientes e para garantir que os músculos das pernas permaneçam saudáveis.

Você deve compartilhar essas informações importantes com todos os seus amigos e familiares com mais de 40 anos, pois todos estamos envelhecendo diariamente.

SOFÁ MATA!...

 

(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

* * *

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

 

UMA FIGURA DE AVENTUREIRO – Carlos Pereira Filho

 


            A notícia correu de boca em boca. O tenente que foi preso, no Posto Indígena, regressou com os soldados, desarmados e humilhados. As armas ficaram em poder dos comunistas, dizia o tenente, que são muitos e se acham entrincheirados.

          Todo mundo rumou para o quartel para ver a cara avacalhada do tenente Salatiel e os seus soldados, mas o quartel estava impedido com sentinelas de armas na mão. Um murmúrio se espalhava no seio da multidão, através de comentários de todos os feitios e para todos os sabores.

            Na farmácia do Tourinho, sentado num banco, Henrique Félix contava ao farmacêutico e a Carlos Sousa o que acabava de saber: que tinha chegado uma força do Governo para seguir rumo o Posto Indígena. Havia desembarcado no cais de Ilhéus e no dia imediato se transportaria para o campo de operação. Também narrou, pedindo reservas, mais uma das do doutor Coriolano Antunes. A família do fazendeiro, que ele mandara prender como comunista, mulher e sete filhos menores havia procurado o Dr. Coriolano. A mulher se ajoelhara aos seus pés e pediu pelo amor de Deus que mandasse soltar o seu marido. Confessou eu há dias ela e os filhos não comiam nem dormiam. Tivesse paciência, fosse bom, providenciasse a liberdade do marido. Ele não havia praticado nenhum mal, nunca foi comunista, nem sabia que diabo significava comunismo.

            O Dr. Coriolano, fumando um charuto barato, com uma cara achinesada e um cabelo de pastinha caído na testa, disse à mulher, fingindo sentimento, “que não podia fazer coisa alguma, a situação estava negra, em estado de guerra, com garantias constitucionais suspensas. Tinha pedido à polícia que não maltratasse o preso, seu vizinho, seu compadre, que prezava tanto. Não havia outro jeito senão aguardar com paciência o tempo passar. E depois, com aquele movimento do Posto Indígena, as coisas pioravam, falavam até em fuzilamento.”

            Novo berreiro da mulher, dos filhos. Novo apelo. Pelo amor de Deus, salvasse o marido, daria tudo pelo sua salvação, até a roça que era o pão daquelas crianças. Ao ouvir a palavra “da roça”, o Dr. Coriolano estremeceu. A caça estava chegando para o alvo mansamente, sem suspeitar de nada.

            E quando a comadre, depois de despedir-se ia saindo, com lágrimas nos olhos, o dr. Coriolano chamou-a e disse: - Vá à cadeia, tome aqui esta carta, comunique ao seu marido que tem de vender a fazenda senão ele será condenado como comunista e fuzilado.

            A mulher foi e encontrou o marido sentado, junto a outros presos. Narrou-lhe todo o episódio e a solução que ela e ele tinham de tomar para se livrarem daquela triste situação. O marido acabrunhado concordou. O irmão havia-lhe aconselhado a mesma coisa. Somente, agora, estava compreendendo a razão da sua detenção. Vendeu a roça miseravelmente barata ao próprio dr. Coriolano, que ainda ficou com uma parte do dinheiro, para mandar o delegado rasgar o processo e que jamais entregou ao delegado.

            Esses são os bons, concluiu Henrique Félix. Esse doutor foi o cidadão mais ladrão que apareceu nestas terras. E ainda tem defeitos piores, gosta das mulheres dos outros, adianta-se com as mocinhas e fala mal de todo o mundo, ataca a honestidade de toda a gente.

            Tourinho, que até então se conservava calado, pigarreou e falou: - Esse sujeito, quando chegou nesta terra, era um morto a fome, recebia consultas de vinte cruzeiros e ainda exigia comissão nas receitas.

            Mas, reatando o fio dos acontecimentos, no dia seguinte chegou a tropa do governo. Centenas de soldados, passaram para Itapé, rumo ao Posto Paraguaçu. O ataque foi cerrado e violento. O Posto foi cercado por todos os lados e atrocidades se cometeram de toda sorte. Mortos e feridos a granel. Os chefes do movimento fugiram para Minas Gerais e a paz voltou a reinar no município.

            Dos tristes noticiários espalhados pela imprensa do País, com os devidos exageros, as responsabilidades caíram nas costas do interventor federal Juraci Magalhães e dos governantes seus auxiliares.

             O dr. Coriolano ganhou a batalha, alargou os seus domínios no Posto Paraguaçu e “comprou” a fazenda de cacau, do compadre que mandou meter na cadeia como comunista.

            E ainda ficou com o gadinho dos comunistas corridos do Colônia, seus vizinhos de fazenda.

 

(TERRAS DE ITABUNA – Cap. XXV)

Carlos Pereira Filho

* * *

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Cyro de Mattos publica

livro sobre Jorge Amado

 


O escritor Cyro de Mattos acaba de publicar o livro Os saberes nas narrativas de Jorge Amado, reunindo 18 ensaios sobre a obra do famoso romancista, numa coedição da Fundação Casa de Jorge Amado e ALBA, editora da Assembleia Legislativa da Bahia. O livro traz o prefácio “Cyro Mattos e Jorge Amado: um encontro Grapiúna”, assinado pelo professor doutor em Letras Nelson Cerqueira, poliglota, membro da Academia de Letras da Bahia, ensaísta e ficcionista, e o posfácio “Cyro de Mattos pisando chão verdadeiro”, de Ângela Fraga, escritora e presidente da Fundação Casa de Jorge Amador (Salvador).

Este é o quinto livro de ensaio de Cyro de Mattoso, também é o quinto publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado, com o selo editorial Casa de Palavras. Os outros foram Berro de Fogo e outras histórias, Canto a Nossa Senhora das Matas, Poemas Ibero Americanos e Canto até hoje, obra poética reunida, Prêmio das Arte Jorge Portugal, da Fundação Cultural do Estado e Lei Aldir Blanc. Ele já publicou 62 livros de criação pessoal e possui 15 livros publicados por editoras europeias.

Os ensaios inclusos em Os saberes nas narrativas de Jorge Amado são estes: O menino grapiúna, Romances da juventude, Negro valente e brigão, Mar de amor e morte, Meninos abandonados, Universo do cacau, Incursão em Itabuna, Da caatinga para o desconhecido, Vadiagem e marinhagem, Pastores da noite, Numa tenda dos milagres, Uma flor entre dois maridos, Duas mulheres guerreiras, Uma história de feitiçaria, O romancista acadêmico, O criador de personagens, Prosador e poeta, Autor para a garotada.

 

 


Cyro de Mattos e Jorge Amado: um encontro grapiúna*

                  Por Nelson Cerqueira**

 

É um encanto o encontro temático que Cyro de Mattos realiza com Jorge Amado ao apresentar em seu livro de ensaios um rico conjunto de saberes sobre a obra do famoso romancista baiano. Nas leituras de romances e de outros aspectos importantes, o ensaísta aborda primeiro a infância do romancista quando era ainda um menino grapiúna, na época da conquista da terra. Incursiona depois   sobre o universo do cacau, prossegue com os comentários sobre o fazer literário, no qual contempla estudos sobre os temas, personagens, invenções com base na realidade popular, enfim, em tudo que da narrativa prazerosa possa expressar uma forma de biografia da vida no ato da escrita.

No aspecto construtivo do uso do saber da vida transposto para o plano do fazer literário, o ensaísta dá-nos uma visão humanista da criação e da vida existencial do célebre escritor.  Suas leituras assim sobre o legado amadiano facilitam o entendimento de uma obra de valor inconfundível para os novos e velhos leitores. Estão tão bem urdidas acerca do comportamento feito de saberes na escrita sensual e no imaginário do romancista que bem poderia esse livro de ensaios funcionar como um manual literário para alunos da escola secundária, das faculdades de letras e até mesmo para estudiosos que se disponham a rever e refazer conceitos assumidos e propalados. 

 

Sem falar na contribuição que poderia prestar a muitos segmentos da crítica formalista que impera no meios acadêmicos e universitários, nas mentes tradicionais às vezes tendenciosas, através de interpretações engajadas, padrões de dominância analítica  municiadas pelos preconceitos, situados esses no discurso crítico conforme concebe Hans Georg Gadamer, em Wahrheit und Methode, e até mesmo Francis Bacon, em seu Novum Organum, quando nos alerta para os ídolos cultivados na escuridão, nas imagens pelas quais se pode ficar aprisionado, sem ver a claridade dos seres e coisas nem vislumbrar uma face da verdade.

As narrativas de juventude, junto com o universo do cacau, pela primeira vez aparecendo na obra de Jorge uma incursão romanesca em Itabuna, se constituem em capítulos capilares para a hermenêutica de romances como Cacau, Terras do Sem Fim, Gabriela, Cravo e Canela, São Jorge dos Ilhéus, A Descoberta da América pelos Turcos e Tocaia Grande. Os saberes são apresentados aqui pelo ensaísta de forma erudita, referidos em crítica textual eclética, na qual são selecionadas personagens como testemunhas reais e fictícias, de acordo com o que se encaixa melhor para o resultado desejado no estudo. Nenhum personagem ou momento existencial descrito recebe favorecimento teórico, ao invés disso o ensaísta sempre vai descrevendo e provocando a reflexão do leitor, auxiliando-o na fixação de sua opinião, para assim ir mostrando o texto impregnado de lucidez interpretativa com os elementos extrínsecos e intrínsecos necessários à elucidação da escritura em conexão com a vida, tanto na forma quanto no conteúdo para conseguir o efeito. 

Parece que Cyro está abraçado com o melhor da crítica do século XIX quando se escrevia sem viés de preferência diante de um manuscrito, com uma disposição poética e alexandrina que impressionavam. Conscientemente usa elementos de muitas teorias literárias e filosofias da interpretação da obra e assim permite que as ideias se interconectem com a fatura romanesca de Amado, com sua existência, seu conhecimento abundante dos seres e das coisas, valores, razões, pensamento mágico e lógico, linguagens literárias e populares. Os saberes são apresentados, passo a passo, como numa atitude rosácea, conduzida por uma variedade de estilos, que nos lembram a lição de Hume quando observa que não existe um único caminho para se chegar à beleza, e pode ser, por isso mesmo, o que Cyro preferiu nesse modelo de práxis literária com diversos prismas para comentar os saberes de Jorge. O ensaísta debruça-se principalmente sobre fontes primárias do saber e do fazer, ao mesmo tempo que cobre o espaço de uma cultura mestiça do povo baiano com a variedade de ângulos que elaborou com felizes descobertas e achados importantes no correr do estudo.

O capítulo analisando Capitães da Areia está tão bem urdido que me trouxe de volta a análise que fiz das apropriações de Amado do universo medieval, a narrativa centrada em Pedro Bala, louro com sua cicatriz vermelha, a liderar o grupo, fugindo da tentativa bastarda de transformá-lo em negro, para atender a supostos preceitos do politicamente correto, tão em voga nesses dias de desvario em que se deseja até queimar todo o acervo de Monteiro Lobato. O enfoque desse romance de aspirações sociais mostra como nesses pobres meninos abandonados na areia acontecem mazelas, que são as de hoje, e que já existiam na década de 30, mas ainda recalcitrantes quase cem anos depois, no novo século.

Em certo momento da leitura que fiz preferi também ficar com o ângulo idealizado de Amado no que diz respeito à imagem de personagens com a dimensão dos contrastes raciais, dentro das discussões da época, lideradas por Gilberto Freire em sua tese de estudos multirracial, escrita sob a orientação de Franz Boas, vinculada a uma época em que se buscava novas ideias sobre raças para dar uma resposta ao crescente arianismo defendido por Adolf Hitler.

As narrativas de pesquisas e memórias, contidas nesses saberes de Jorge Amado, abordando a cidade da Bahia assentada numa cultura popular mestiça e sua preferência pela vida urbana, com feitiçarias e heróis míticos como os de Os Pastores da Noite e Tenda dos Milagres, assim como os ensaios sobre as mulheres heroínas e guerreiras com suas imagens impregnadas de ousadia e coragem,  são todas elas excelentes leituras para compreender a dimensão do ficcionista e seu compromisso com as questões sociais, lutas de classe e escárnio à burguesia dominante.

           É magnífica a interpretação do ensaísta sobre a realidade da vida popular  no romance de Jorge Amado, como um dos saberes configurado na expressão mística, fantástica, mágica, socialista, enfatizado em Tenda dos Milagres, Os Pastores da Noite, O Sumiço da Santa e Dona Flor, mas que navega em toda a narrativa do romancista, desde País do Carnaval, a englobar, até mesmo, seu relato de caráter autobiográfico, onde existência e imaginação se misturam como vinho e água durante certa navegação de cabotagem.

            O ensaísta Cyro de Mattos teve a iluminação para tratar de todas as variações de realismos e estilos literários usados por Jorge Amado de uma forma poética e grapiúna, dialogando com os pés na terra, viajando por toda complexificação do flutuar de teorias, usando aqui a ali alguma fonte teórica, mas mantendo em suas leituras dos saberes a base maior para o entendimento do autor: sua fortuna crítica literária. Do ponto de vista crítico é marcante como esse conjunto de ensaios ou crônicas teorizantes sobre o amado escritor baiano adote como pano de pesquisa as obras do romancista e uma dose de referências a muitas ações conjuntas, de amizade, advindas das relações sociais, vivências e convivência no mundo grapiúna, no universo pré-místico do cacau, e que também inclui nelas a religiosidade trazida pelos descendentes de africanos, sobretudo a religião dos orixás, ijexá e dos Bantus de Angola e sul da África.

Os capítulos sobre o criador de personagens, o prosador e o poeta, não podem deixar de ser apreciados com cuidado, em razão de sua riqueza de detalhes.

Resulta esse livro de um conjunto de ensaios que produzem uma análise clara e imprescindível para o conhecimento da obra de Jorge Amado. O ensaísta Cyro distribui também farto conhecimento sobre os personagens masculinos e femininos. Aponta como ocorre a fusão entre engenho e arte para traçar o modo de construção desses protagonistas, tanto no romancista estudado como em outros da grandeza de Machado de Assis e Graciliano Ramos. Tem razão quando pergunta como esquecer Baleia, de Graciliano Ramos, Moby Dick, de Melville, Dona Flor ou Pedro Archanjo, do autor de Tenda dos Milagres, personagens que ocupam lugar de destaque na galeria das fascinantes criações de todos os tempos, eternizadas como referências obrigatórias na literatura ocidental.

Por fim, lembremos que Jorge Amado rompeu com o partido comunista, mas permaneceu, em toda sua dimensão de construção narrativa, ligado às verdades essenciais de um sistema organizado com feição igualitária. Podemos ver isso na delimitação de personagens, dentro da estética com mensagens de teor libertário conduzido para um mundo melhor. Escreveu neste sentido a fábula infantil O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, tão bem lembrada por Cyro em um de seus lúcidos ensaios. 

 

*Grapiúna é assim chamado o pioneiro ou o que nasceu no tempo da conquista da terra.  Ao longo dos anos, o termo passou a significar aos que se identificam com as tradições e valores de uma civilização criada com bases na lavra do cacau, no sul da Bahia.  

**Nelson Cerqueira é escritor, tradutor, poeta, professor doutor em Letras.

* * *