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sábado, 27 de março de 2021

Os crimes do Lulopetismo – Parte I

ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS (AGRAL) COMPLETA DEZ ANOS DE EXISTÊNCIA

 




Academia Grapiúna de Letras AGRAL

completa dez anos de existência

 

Neste 4 de abril de 2021, a Academia Grapiúna de Letras (AGRAL), sediada na cidade de Itabuna e sob a recém presidência do professor universitário Samuel Leandro Oliveira de Mattos [Foto acima], que sucede o jornalista e autor do livro “De Tabocas a Itabuna 100 anos de Imprensa” (Agora Editora, 1999), Ramiro Soares de Aquino, completa dez anos de existência.

Até o ano de 2011, Itabuna lamentavelmente cometia um descaso com a cultura grapiúna, que detém nomes nacionais em suas diversas vertentes, não dispondo de uma academia de letras que os imortalizassem no seio de suas origens, mas que foi corrigida por um grupo de abnegados intelectuais dessa urbe, em 4 de abril, quando fundaram a AGRAL.

A propósito, o Sul da Bahia é uma das únicas regiões brasileiras que tem uma literatura própria, com identidade diferenciada. A chamada Civilização do Cacau, pois, produziu expressões idiomáticas, adjetivos e substantivos peculiares, a exemplo dos encontrados na obra “Dicionareco das Roças de Cacau e Arredores”, de Euclides Neto (1925-2000). Por sua vez, as temáticas abordadas nas obras de Adonias Filho (1915-1990), Sosígenes Costa (1901-1968), Jorge Medauar (1918-2003), Jorge Amado, dentre outros, difundiram um expressivo imaginário cultural sulbaiano, já reproduzido na dramaturgia, teledramaturgia e no cinema.

A AGRAL, que tem como patrono o escritor Jorge Amado (1912-2001), reverencia grandes literatos sulbaianos e brasileiros, como um todo, e objetiva o cultivo da língua e da literatura, sobretudo a regional, inclusive nas áreas das ciências e das artes.

O seu estatuto diz que os membros efetivos, serão escolhidos preferencialmente entre os destacáveis em sua atuação cultural, científica e artística em Itabuna, ou seja, privilegiará intelectuais ou artistas que tenham atuação ou trabalhos em quaisquer meios escritos ou falados de informação e arte etc., acolhendo-se, também, alguns residentes nas cidades que compõem a Região Grapiúna, sob essas mesmas condições.

A AGRAL, que inspirou-se no formato da Academia Brasileira de Letras (fundada em 1897), é composta por  40 acadêmicos e/ou imortais efetivos (e perpétuos) e 20 correspondentes, tem como fundadores e historicamente membros de sua primeira diretoria, Ivan Krebs Montenegro, cadeira 10, presidente; Vercil Rodrigues, cadeira 1, vice-presidente; Washington Farias de Cerqueira, cadeira 3, secretário-geral; Antônio da Silva Costa, cadeira 8, tesoureiro; Jorge Ribeiro Carrilho, cadeira 7, 2º tesoureiro; Ramiro Nunes de Aquino, cadeira 9, diretor de eventos e José Carlos Oliveira, cadeira 4, diretor de biblioteca. [Foto abaixo]



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quarta-feira, 24 de março de 2021

NIETZSCHE NO CÉU - Marco Lucchesi


A poesia clássica persa é um condensado de beleza, em língua delicada: antiga e jovem, intensa e maleável, aberta e rigorosa. Seu timbre não esconde uma sublime vocação. Atenta às formas transitórias. Habitada por nuances. Herdeira de semitons. Todo um repertório de imagens que incessantemente se renova. Tema e variação: o jardim e a luz da aurora, as flores perfumadas e os espinhos, o rouxinol de amor perdido pela rosa. Língua suave e subtil, feita de símbolos e formas vicárias. E se abastece de sua própria linfa. Uma vogal apenas une umas às outras as palavras. Não se apagam as vozes de Rūmī e Hāfez. Esse mesmo frescor feriu o Divã de Goethe e a poesia de Mohammed Iqbāl.

Iqbāl, poeta paquistanês (1877-1938) mergulha nas várias línguas de sua cultura. E quando escreve em persa, filia-se a uma tradição, que lhe pertence, amorosamente. Usa o repertório para modificá-lo, mais inclinado a Rūmi que a Hāfez. Menos a Pérsia barroca, de que falava Scarcìa, e mais o tesouro sufi de águas claras. Íntimo, contudo, de Sanā’ī , Sa‘dī e Attār. A rosa e o jardim, a flauta e o rouxinol aparecem deslocados em Iqbāl. Adquirem novas ressonâncias. Um centro que desde então se descentra. Mantida entretanto a moldura simbólica.

O diálogo com Goethe inscreve-se no seio da comunidade muçulmana. Um olhar de mão-dupla, mais permeável entre Oriente e Ocidente na sua leitura corânica. E a partir do cerco de Bagdad (1258), quando se inicia uma longa crise no islão. O poeta deixa de lado a dissolução contemplativa radical, e encontra na ação o empenho na reforma do pensamento religioso, como Dante, no Paraíso, clamando por justiça. Não é Virgílio o guia de Iqbāl, mas o poeta Rūmī. Temos aqui a elaboração de uma genealogia, de um legado mútuo, fascinante e especular. As palavras de Abdālī, no Empíreo traduz sua densidade: “A força da Europa consiste na ciência e na técnica, desse fogo brilha a sua lâmpada. A sabedoria não consiste no corte da roupa, nem o turbante é obstáculo às ciências e às artes. Pouco importa como proteges a cabeça! Basta um pensamento ágil, uma inteligência aguda".

Nas alturas do Céu, Iqbāl encontra ninguém menos do que Nietzsche. Justamente no prelúdio ou no átrio do Paraíso: “Perguntei a Rūmī: ‘Quem é esse louco?’. Respondeu: ‘é um sábio alemão. Seu lugar é entre estes dois mundos, um canto antigo o que sai de sua flauta! Suas palavras foram ousadas e grandioso o seu pensamento. Cortou a Europa em duas partes com a espada de suas palavras. A sua melodia rompeu a corda de seu alaúde.” Quem é capaz de colocar Nietzsche no Céu, pode sondar a delicada fronteira da alteridade. Iqbāl é o poeta do encontro, além de fortes e fronteiras, segunda a expressão de João da Cruz. Uma nova inscrição em que a paz se redesenha.

 

Jornal de Letras, Artes e Ideias (Lisboa), 24/03/2021

 

Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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#AoVivo: Reunião no Palácio da Alvorada com chefes dos 3 Poderes

segunda-feira, 22 de março de 2021

O CRIME DO ESQUECIMENTO – Péricles Capanema

 22 de março de 2021



Péricles Capanema

 

Lula com uma nova máscara…

Vacina eficiente. Lula voltou ao proscênio da cena política, prepara sua volta em 2022 como candidato pretendendo alcançar vitória. Ponto vivo da estratégia, o demiurgo petista conta com o esquecimento popular. Sabe, a memória boa é a mais eficaz vacina contra a reinfecção petista.

Coligação forte à vista. Tudo o indica, o morubixaba petista busca pôr em pé coligação forte para 2022; para isso certamente irá migrar rumo ao centro e escolher vice tranquilizador — como o fez com êxito ao pinçar milionário, líder empresarial e político de centro para as eleições de 2002. São suas armas para reconquistar o Planalto. Como molhar a pólvora? Nenhuma amnésia. No caso, a memória boa será a salvação do Brasil.

Desgaste da reação antipetista. Lula conta ainda com o desgaste das desorganizadas forças direitistas e conservadoras que surgiram e surraram eleitoralmente o PT em 2018, tendo como principal combustível os avassaladores sentimentos antipetista e anticorrupção, gerados pelo horror dos desgovernos da “cumpanherada”. Por isso, em particular, o esquecimento dos desgovernos é primordial na estratégia petista.

Tais sentimentos perpassavam então de alto a baixo a sociedade, horrorizada com o inescrupuloso assalto ao poder pela tigrada insaciável. Debilidade a ter em vista, noto só de passagem, sentimentos e emoções costumam ser efêmeros. Cuidado com eles, precisam ser cultivados, alimentados e enraizados; permanentes são os princípios e hábitos entranhados. E é congruente, já está em curso intensa campanha de desmoralização das forças conservadoras e direitistas que emprega como munição motivações reais, inventadas ou aumentadas, pouco importa aqui. Vale tudo.

Por tudo isso, retomo e reitero, em 2022 a memória do passivo petista será fundamental. Décadas atrás foi muito popular lema em São Paulo, relativo à Revolução de 1932. Vale a recordação: “São Paulo não esquece, não transige, não perdoa”. Agora realço uma das três posturas, não esquecer, a primeira e mais fundamental delas. O perigo será esquecer. Com o olvido, a transigência e o perdão ficam dispensáveis; de fato, nem entram em linha de conta.

Anão diplomático. Vou lembrar alguns, só alguns, infindo é o rol dos pesadelos pelos quais passamos entre 2002 a 2016 — e a lista voltará aumentada e agravada se o petismo triunfar em 2022. Hostilizar os Estados Unidos e a Europa, na prática, foi política de Estado. Sob o mesmo bafo e em direção contrário bajular e favorecer China, Rússia, Cuba, Venezuela, Irã, Síria e estados em situação semelhante. Claro, também a Argentina de Nestor e Cristina Kirchner. O petismo triunfante tentou criar uma aliança destrutiva da qual participavam países onde campeava a ditadura, o terrorismo e a corrupção para opô-los ao mundo desenvolvido. Era uma versão tóxica da rivalidade Norte-Sul. Ídolos da diplomacia brasileira foram Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales. Do sanguinário ditador cubano, Lula afirmou que foi “o maior de todos os latino-americanos” A disputa do governo brasileiro com Israel chegou ao ponto de o porta-voz do Estado judeu, em 2014, ter qualificado o Brasil de “anão diplomático”.

Modelos a imitar, Cuba e Venezuela. Na política interna, a união com partidos políticos complacentes (para dizer o mínimo) levou por anos à roubalheira solta — mensalão e petrolão, e ainda não tivemos o destape do eletrolão —, pilharam em especial estatais, o maior assalto aos cofres públicos de que o mundo tem notícia. E à continuação da escandalosa política de promoção da reforma agrária, que empobrece o campo há décadas. Sofremos ainda no fim do governo Dilma, a paralisia econômica, a inflação em alta, o empobrecimento generalizado e a recessão. E suportamos a teimosia do PT em continuar no mesmo rumo, o abismo. Sem falar na parcialidade gritante da assim chamada Comissão da Verdade, em que pululavam favorecimentos para alguns da patota, bem como perseguições claras ou veladas aos opositores. Um autêntico ensaio dos tribunais populares, de sinistra memória nas ditaduras comunistas. No horizonte escuro, o fantasma aterrador de o Brasil virar uma nova Cuba ou uma nova Venezuela. Outra vantagem da memória boa, dificulta idealizações acarameladas dos desgovernos petistas.

Todas as agendas de ideologia do gênero, promoção do aborto, “normalização” social e institucional da “família”, sob as mais absurdas formas, receberão impulso novo, o que não impedirá à CNBB, CPT e entidades congêneres de darem apoio a tais governos, que trabalharão efetivamente para eliminar restos ainda vivos da evangelização em solo brasileiro.

O ex-frei Leonardo Boff com o boné do MST

As CEBs fundaram o PT. Convém reproduzir diálogo entre o ex-frei Leonardo Boff e Lula — está na rede. Temos ali a responsabilização da esquerda católica pelos padecimentos populares de 2002 a 2016, o Brasil atolado no pântano do atraso. Diz o antigo franciscano: “As CEBs, as comunidades eclesiais de base, que eu acompanhei tantas, não entraram no PT, elas fundaram as células do PT, isso é muito mais que entrar num partido, é fundar um partido”. O líder do PT comenta: “O PT não existiria do jeito que ele existe, se não fossem as comunidades eclesiais de base, se não fosse a Teologia da Libertação, eu sei o que é o valor de um padre progressista numa cidade pequena.”

De outro modo, segundo os dois corifeus da extrema esquerda, as comunidades eclesiais de base formaram o caldo de cultura indispensável para fazer germinar no Brasil partido que trouxe no bojo, o retrocesso, a intolerância, o desenho de uma sociedade socialista, com atrofia enorme das possibilidades de realização pessoal. E cuja implantação invariavelmente acarretou exclusões brutais, sufocamento da liberdade, fuga dos pobres apavorados com a generalização da miséria, uma forma de inferno na Terra.

O esquecimento, causa de tragédias. Dou um cavalo de pau e recorro a exemplo imaginário — já aconteceu coisa assim. Um pai estaciona o carro na rua, dia de muito calor, deixa os vidros fechados, o filho pequeno fica no banco. O pai vai cuidar da vida, faz negócios, demora, esquece que o filho está trancado. Quando volta, desespero, a criança está morta por insolação e asfixia. Não quis o fato, não agiu para que acontecesse. Foi culpado? Sim, pela lei e jurisprudência. Negligenciou atenção que deveria dar à situação em que era garantidor. Situações desse tipo configuram os chamados crimes de olvido ou de esquecimento. Reza o artigo 13 do Código Penal: “O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se a causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. E está no § 2º do mesmo artigo: “A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância”.

Crimes de esquecimento. Por que fui tão longe e dei o cavalo de pau no texto? Para lembrar um ponto, mesmo de forma inconsciente, até desejando o contrário, o esquecimento não raras vezes leva a tragédias e até ao crime. A criança do exemplo pode no futuro lembrar o Brasil. O pai, qualquer um de nós, se negligentes; faltaríamos no caso ao dever de cuidado.


https://www.abim.inf.br/o-crime-do-esquecimento/

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