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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A FILA ANDA – J.R.Guzzo


Artigo Censurado 

Já que a revista Veja não quis publicar o artigo de um dos mais respeitados jornalistas do país, e culminou na sua saída, eu, #lindamente ROUBEI o artigo. Sorry, José Roberto Guzzo, ROUBEI sim, você não viu, me desculpe, mas na minha opinião merece leitura

 A FILA ANDA 

Um dos grandes amigos do Brasil e dos brasileiros de hoje é o calendário. Só ele, e mais nenhum outro instrumento à disposição da República, pode resolver um problema que jamais deveria ter se transformado em problema, pois sua função é justamente resolver problemas – o Supremo Tribunal Federal.

O STF deu um cavalo de pau nos seus deveres e, com isso, conseguiu promover a si próprio à condição de calamidade pública, como essas que são trazidas por enchentes, vendavais ou terremotos de primeira linha. Aberrações malignas da natureza, como todo mundo sabe, podem ser resolvidas pela ação do Corpo de Bombeiros e demais serviços de salvamento. Mas o STF é outro bicho. Ali a chuva não para de cair, o vento não para de soprar e a terra não para de tremer – não enquanto os indivíduos que fabricam essas desgraças continuarem em ação.

Eles são os onze ministros que formam a nossa “corte suprema”, e não podem ser demitidos nunca de seus cargos, nem que matem, fritem e comam a própria mãe no plenário. Só há uma maneira da população se livrar legalmente deles: esperar que completem 75 anos de idade. Aí, em compensação, não podem ser salvos nem por seus próprios decretos. Têm de ir embora, no ato, e não podem voltar nunca mais. Glória a Deus.

Demora? Demora, sem dúvida, e muita coisa realmente ruim pode acontecer enquanto o tempo não passa, mas há duas considerações básicas a se fazer antes de abandonar a alma ao desespero a cada vez que se reúne a apavorante “Segunda Turma” do STF – o símbolo, hoje, da maioria de ministros que transformou o Supremo, possivelmente, no pior tribunal superior em funcionamento em todo o mundo civilizado e em toda a nossa história.

A primeira consideração é que não se pode eliminar o STF sem um golpe de Estado, e isso não é uma opção válida dos pontos de vista político, moral ou prático. A segunda é que o calendário não para. Anda na base das 24 horas a cada dia e dos 365 dias a cada ano, é verdade, mas não há força neste mundo capaz de impedir que ele continue a andar. Levará embora para sempre, um dia, Gilmar Mendes, Antônio Toffoli, Ricardo Lewandovski. Antes deles, já em novembro do ano que vem e em julho de 2021, irão para casa Celso Mello e Marco Aurélio – será a maior contribuição que terão dado ao país desde sua entrada no serviço público, como acontecerá no caso dos colegas citados acima. E assim, um por um, todos irão embora – os bons, os ruins e os horríveis.

Faz diferença, é claro. Só os dois que irão para a rua a curto prazo já ajudam a mudar o equilíbrio aritmético entre o pouco de bom e o muitíssimo de ruim que existe hoje no tribunal. Como é praticamente impossível que sejam nomeados dois ministros piores do que eles, o resultado é uma soma no polo positivo e uma subtração no polo negativo – o que vai acabar influindo na formação da maioria nas votações em plenário e nas “turmas”.

Com mais algum tempo, em maio de 2023, o Brasil se livra de Lewandovski. A menos que o presidente da época seja Lula, ou coisa parecida, o ministro a ser nomeado para seu lugar tende a ser o seu exato contrário – e o STF, enfim, estará com uma cara bem diferente da que tem hoje. O fato, em suma, é que o calendário não perdoa. O ministro Gilmar Mendes pode, por exemplo, proibir que o filho do presidente da República seja investigado criminalmente, ou que provas ilegais, obtidas através da prática de crime, sejam válidas numa corte de justiça. Mas não pode obrigar ninguém a fazer aniversário por ele. Gilmar e os seus colegas podem rasgar a Constituição todos os dias, mas não podem fugir da velhice.

O Brasil que vem aí à frente, por esse único fato, será um país melhor. Se você tem menos de 25 ou 30 anos de idade, pode ter certeza de que vai viver numa sociedade com outro conceito do que é justiça. Não estará sujeito, como acontece hoje, à ditadura de um STF que inventa leis, censura órgãos de imprensa e assina despachos em favor de seus próprios membros.

Se tiver mais do que isso, ainda pode pegar um bom período longe do pesadelo de insegurança, desordem e injustiça que existe hoje. Só não há jeito, mesmo, para quem já está na sala de espera da vida, aguardando a chamada para o último voo. Para estes, paciência. (Poderiam contar, no papel, com o Senado - o único instrumento capaz de encurtar a espera, já que só ele tem o poder de decretar o impeachment de ministros do STF. Mas isso não vai acontecer nunca; o Senado brasileiro é algo geneticamente programado para fazer o mal). 


Para a maioria, a vitória virá com a passagem do tempo.


J. R. GUZZO - Jornalista

(Recebi via WhatsApp)

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DIA DO MÉDICO - 18 de outubro


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O FASCÍNIO DA ÁRVORE - Antonio Baracho


              
            Tal como Joyce Kilmer, sei que na vida nunca verei poema mais belo e ardente do que uma árvore. Olegário Marianno traduziu-lhe os maravilhosos versos que figuram no seu Enamorado da Vida, e é através da sensibilidade do grande e inesquecível poeta pernambucano que, sentindo a emoção de Kilmer, também dizemos: qualquer mortal como nós pode fazer um poema... Mas, quem pode fazer uma árvore? Só Deus. Porque uma árvore encerra uma boca faminta aberta eternamente ao hálito sutil e flutuante da terra. Voltada para Deus todo dia ela esquece os braços a pender de folhas, numa prece; e ao vir do estio morno, esconde um ninho de sabiás nos cabelos da fronde. E a neve põe sobre ela o seu nível diadema e a chuva vive na mais doce intimidade do tronco, a se embalar nos galhos seus... Divino Kilmer! Sublime Olegário!

                Sim, sublime Olegário. Poeta das cigarras, ele poderia, igualmente, ser cognominado de cantor das árvores, posto que inúmeros poemas as árvores lhe inspiram, e quase sempre as compara com as mulheres... A árvore, na sua visão de vate, é uma mulher, como se vê deste soneto inserto no seu livro citado:

Árvore! Quem dirá, vendo-te o talhe esguio,
que não foste mulher um dia? Quem dirá?
Quando te esfrola a copa a asa do vento frio,
que saudade de amor não te despertará?!

Vendo-te repousar na água clara do rio,
sinto que a tua sombra humana dormirá
embalada na voz do eterno murmúrio
da corrente que o teu destino embalará.

Árvore! Na aflição que o teu silêncio encerra,
sendo noiva do sol, sendo filha da terra,
não canta em tua fronde um pássaro sequer;

és um vulto que espreita o caminho e mais nada.
Mas os tropeiros, quando passam pela estrada,
olham-te como se olha um corpo de mulher.

                Na qualidade de psicólogo de profissão, e, modéstia à parte, também poeta contumaz, ao tempo em que vejo a árvore como inspiradora dos meus sonhos, utilizo-a como instrumento de trabalho, pois, como é sabido, ela é útil para o diagnóstico de personalidade; isto porque, quando se desenha uma árvore, a personalidade de quem a traçou se projeta naquele tronco e naqueles galhos... Mas, este é outro assunto sobre o qual seria eu levado a escrever páginas e páginas ao invés de uma leve crônica. Ficarei, por isso, com os meus poetas que veem as árvores como elas são, enfeitando a paisagem dos campos ou das urbes, ora como um simples vulto “que espreita o caminho”, ora como dançarinas ao capricho do vento. Gosto, porém, de contemplá-la no seu donaire real orgulhando-se de sua altíssima linhagem, como a viu Clóvis Lima, neste flagrante inesquecível que é, sem dúvida, dos mais belos que a árvore já inspirou:


Aquela árvore, além, dominando a paisagem,
a fronde aberta ao sol, em flagrante beleza, 
tem o donaire real de uma linda princesa
que se orgulha da sua altíssima linhagem.

Fico-me a ver-lhe o porte elegante, à voragem
do vento que a contorce ou a doce sutileza
do zéfiro que vem beijá-Ia, e, com lhaneza, 
tange a harpa-eólea da sua esplêndida ramagem.


Enlevado, contemplo-a, agora, quando a tarde
já de todo esmaeceu, ouvindo-se, ainda, o alarde
dos pássaros que vão abrigar-se na mata.

O crescente que vai galgando a altura infinda,
antepõe-se-lhe a fronde, e ela então é mais linda
e orgulhosa a ostentar um diadema de prata.


Bendigo as arvores louvando todos os poetas que a cantam.

    

ANTONIO BARACHO – Poeta, psicólogo.
Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL, ocupante da cadeira nº 11.
Tel. (73) 99102-7937 / 98801-1224


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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

LEITURA DRAMATIZADA DE OUTUBRO NA ABL APRESENTA “O CASAMENTO SUSPEITOSO”, DE ARIANO SUASSUNA


Acadêmico Ariano Suassuna, autor de importantes obras como “O santo e a porca” e “O auto da compadecida”, escreve, em 1957, “O casamento suspeitoso”, uma comédia de costumes nordestinos escrita em forma de peça. Suas personagens são caricaturadas e fazem uso de linguagem e expressões próprias da região Nordeste brasileira.
 Em 2019, uma parceria entre a Academia Brasileira de Letras e a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena promove apresentações teatrais da peça “O casamento suspeitoso” adaptadas para o formato de leitura dramatizada. Com um pouco mais de uma hora de duração, jovens e adultos poderão se encantar com uma divertida história que tem como tema central o casamento por interesse ou, como o dito popular, o “golpe do baú”. O espetáculo tem a direção de Eduardo Almeida e o elenco é composto por alunos e ex-alunos da Escola. São eles: Matheus Racinne, Fabricio Sigales, Jhô Teodorio, César Vieira, Vivianne Baptista, Teo Pasquini, Miriã Duarte, Bruna Morais e Janice Fernandes.
 Na história, Lúcia vem do Recife, acompanhada do seu amante e de sua mãe, para casar-se com um ingênuo herdeiro de uma fortuna na cidade de Taperoá, interior da Paraíba. Os golpistas, porém, não esperavam se deparar com a esperteza da dupla de empregados, Cancão e Gaspar, que armam várias situações para provar que Lúcia é uma impostora e interesseira. Mas ao perceber que será desmascarada, a trambiqueira tentará reverter a situação, criando uma cilada para os dois serviçais. Em quem o herdeiro acreditará?
 Comentário de Ariano Suassuna publicado em 1984 na 6.a edição de “O casamento suspeitoso”:
“Quanto à vulgaridade dos meios cômicos de que lanço mão, é coisa que não me incomoda absolutamente. Não tenho nenhuma tendência para a finura – pelo menos para isso a que os distintos chamam de finura. Ao humor educado e delicado deles, prefiro o rasgado e franco riso latino, que inclui, entre outras coisas, uma loucura sadia, uma sadia violência e um certo disparate.”
Os personagens Canção e Gaspar, que dão um show à parte, retomam a tradição do teatro popular. “Eles são a dupla circense que o povo, com seu instinto certeiro, batizou admiravelmente de o palhaço e o besta”, comentou Suassuna.
O casamento suspeitoso será apresentado no dia 23 de outubro, quarta-feira, às 15h00, no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras. Entrada franca. Faça sua reserva!
INSCRIÇÕES
Garanta sua participação gratuita para esta sessão exclusiva. Lugares limitados.




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PRÊMIO NOBEL DE ECONOMIA 2019

The Royal Swedish Academy of Sciences announces that Abhijit Banerjee, Esther Duflo and Michael Kremer have won the 2019 Nobel Prize in Economics in Stockholm on Oct. 14.   © Reuters

Trio ganha Nobel de Economia 2019 por pesquisas que ajudam combate à pobreza

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer desenvolveram métodos que permitem ações mais eficazes para melhorar saúde infantil e o desempenho escolar.

Por Darlan Alvarenga, G1
14/10/2019


O americano nascido na Índia Abhijit Banerjee, a franco-americana Esther Duflo e Michael Kremer, também dos Estados Unidos, foram premiados nesta segunda-feira (14) com o Nobel de Economia por seus trabalhos no combate à pobreza.

O trio foi premiado "por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global", afirmou o júri. "As descobertas das pesquisas dos premiados - e as dos pesquisadores que seguem os passos deles - melhoraram drasticamente nossa capacidade de combater a pobreza na prática", acrescentou em comunicado a Academia Real de Ciências da Suécia Abhijit Banerjee e Esther Duflo são casados, professores no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e tornaram-se cidadãos americanos. Michael Kremer Kremer é professor na Universidade de Harvard.

Veja os principais destaques do Nobel de Economia 2019:

Segundo a Academia, as pesquisas do trio mostram que a questão da pobreza pode ser combatida de forma mais eficiente se dividida em questões menores e mais precisas em áreas como educação e saúde, e a partir de experimento de campo em países como Quênia e Índia;

Como resultado direto de um dos estudos, mais de 5 milhões de crianças se beneficiaram na Índia de programas de aulas de reforço na escola, e significativos ​​subsídios para cuidados de saúde preventivos foram introduzidos em diversos países.

As pesquisas do trio

Segundo o júri, os estudos e novas abordagens desenvolvidas pelo trio permitiram, por exemplo, ações mais eficazes para melhorar a saúde infantil e o desempenho escolar, como reformas educacionais que adaptam o ensino às necessidades dos alunos.



"Como resultado direto de um de seus estudos, mais de 5 milhões de crianças indianas se beneficiaram de programas eficazes de aulas de reforço nas escolas. Outro exemplo são os pesados ​​subsídios para cuidados de saúde preventivos que foram introduzidos em muitos países", afirmou o comitê do Nobel, destacando ainda que as pesquisas "têm um grande potencial para melhorar ainda mais a vida das pessoas em pior situação do mundo".

Os pesquisadores mostraram, por exemplo, em seus experimentos que as pessoas mais pobres são extremamente sensíveis a preços e gratuidade nos cuidados de saúde preventivos. Em outra pesquisa, mostraram que as taxas de vacinação triplicaram nas aldeias que foram selecionados aleatoriamente para ter acesso a clínicas móveis.


Outro trabalho do trio mostrou que mais livros didáticos e refeições escolares gratuitas tiveram pequenos efeitos, enquanto a ajuda direcionada para alunos fracos melhorou significativamente os resultados educacionais, comprovando que ajuda direcionada aos alunos mais fracos é uma medida eficaz.


"Os laureados mostraram como o problema da pobreza global pode ser resolvido dividindo-o em uma série de perguntas menores – mas mais precisas – nos níveis individual ou de grupo. Eles então respondem cada uma delas usando um experimento de campo especialmente projetado. Em apenas 20 anos, essa abordagem reformulou completamente a pesquisa no campo conhecido como economia do desenvolvimento", explicou o comitê do Nobel.

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer ganham Nobel de Economia 2019 — Foto: Twitter/The Nobel Prize

Pobreza no mundo

"Apesar das recentes melhorias dramáticas, uma das questões mais urgentes da humanidade é a redução da pobreza global, em todas as suas formas", afirmou o comitê do Nobel em comunicado, lembrando que mais de 700 milhões de pessoas ainda vivem com rendimentos extremamente baixos.

"Todos os anos, cerca de 5 milhões de crianças com menos de cinco anos ainda morrem de doenças que muitas vezes poderiam ter sido prevenidas ou curadas com tratamentos baratos. Metade das crianças do mundo ainda saem da escola sem habilidades básicas de alfabetização e aritmética", destacou.

Quem são os premiados

Abhijit Banerjee
Nasceu em 1961 em Mumbai, na Índia. Em 1988, ele conseguiu o título de Ph.D. pela Universidade de Harvard, em Cambridge, nos Estados Unidos. Ele é professor de Economia da Ford Foundation no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA.


Esther Duflo
Nasceu em 1972 em Paris, na França. Ela obteve o título de Ph.D. em 1999 do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA. É a segunda mulher e a pessoa mais jovem a receber o Nobel de Economia. Nos últimos anos, firmou-se como uma duas economistas mais brilhantes de sua geração, ganhando prêmios como a medalha John Bates Clark em 2010, que recompensa os trabalhos de economistas nos Estados Unidos com menos de 40 anos.

Selfie enviada ao Nobel por Esther Duflo, a segunda mulher e a pessoa mais jovem a receber o Nobel de Economia. — Foto: Twitter/The Nobel Prize

Michael Kremer
Nasceu nos EUA, em 1964. Obteve o título de Ph.D em 1992 na Universidade de Harvard, nos EUA. É professor de Sociedades em Desenvolvimento na Universidade de Harvard, nos EUA.

Cerimônia de entrega será em dezembro

Os 3 economistas compartilharão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, ou US$ 1 milhão (R$ 3,85 milhões).

A cerimônia de entrega do Nobel acontecerá em 10 de dezembro, data de aniversário da morte de seu idealizador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).

O prêmio de Economia, oficialmente chamado de "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", foi criado em 1968. A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vez em 1901.

O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz foram anunciados na semana passada.

Vencedores do Nobel de 2019

Paz: Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia, foi premiado por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a vizinha Eritreia, no leste da África

Literatura: Olga Tokarczuk ganhou o prêmio referente ao ano de 2018, quando a academia cancelou a premiação após um escândalo sexual. Já Peter Handke levou o deste ano.

Química: John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino foram premiados pelo desenvolvimento de baterias de íons de lítio, usadas em celulares e carros elétricos.

Física: James Peebles, suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram premiados por suas contribuições para a compreensão do universo e pela descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar que orbita uma estrela semelhante ao Sol.

Medicina: William Kaelin, Gregg Semenza e Sir Peter Ratcliffe ganharam o prêmio pelo estudo sobre como as células detectam e se adaptam à disponibilidade de oxigênio.


Últimos ganhadores do Nobel de Economia

2018: William D. Nordhaus e Paul M. Romer (EUA), por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo.

2017: Richard Thaler (Estados Unidos), por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.

2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia), por suas contribuições à teoria dos contratos.

2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre "o consumo, a pobreza e o bem-estar".

2014: Jean Tirole (França), por sua "análise do poder do mercado e de sua regulação".

2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.

2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.

2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por trabalhos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.

2010: Peter Diamond, Dale Mortensen (Estados Unidos) e Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.

2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.

2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre o comércio internacional.



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terça-feira, 15 de outubro de 2019

A OVELHA PERDIDA - Péricles Capanema


15 de outubro de 2019
Péricles Capanema

“E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam: ‘Este homem recebe e come com pessoas de má vida!’. Então, lhes propôs a seguinte parábola: ‘Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? E, depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento’”. (Lc 15, 2-7)

Enquanto escutava o Evangelho, comecei a imaginar a cena. Ela se passa no deserto. Já me chamou especialmente a atenção. Ovelhas pastando em região árida. Muitas, cem ovelhas, de repente uma tresmalha que afunda na imensidão (ou na escuridão). Saí o pastor atrás dela sem hora para voltar; enquanto não a localiza não retorna ao rebanho.

Aí tomei um susto. Deserto, noite provavelmente, o pastor na procura. E, de início, não consegui resolver o nó. Pensei em quem ouvia a parábola, alguns deles pastores, outros parentes, gente do ramo. E não experimentaram estranheza, como a minha?

Aqui vai meu assombro. De fato, se um pastor tiver a seu cargo e lado cem ovelhas, com os instrumentos pobres de agregação daquela época (um bordão, brados, comidas pobres), nunca delas se afastaria para ir atrás de uma desaparecida. Sem direção, expostas a predadores, lobos rondando, a ladrões, ao descaminho, dispersas na escuridão, perderia todas, sem ao menos ter a garantia de que encontraria a tresmalhada.Veio-me naturalmente ao espírito outro versículo: “E vendo aquelas multidões, [Jesus] compadeceu-se delas, porque estavam fatigadas e como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 36).

Ainda, a parábola da ovelha perdida nada diz sobre a possibilidade de as colocar sob os cuidados de outro pastor ou de as trancar no redil. Estão no descampado, o pastor as deixa e vai atrás da extraviada.

Contudo, pelo que sei, a parábola nunca provocou perplexidades; ao contrário, encantou os presentes e vem encantando os que a ouvem ao longo dos séculos. A razão é simples: os ouvintes fixam o espírito nas realidades morais, objeto da parábola, e abstraem a realidade tangível naquilo que não se coaduna com a beleza espiritual ali ensinada. Não era sobretudo uma cena bucólica, era principalmente ensinamento moral.

No mundo para o qual o conto nos convida o olhar, o bom pastor à vera nunca abandonou as noventa e nove, delas sempre cuidou. “Dos que me deste, não perdi nenhum” (Jo 18, 9). Apenas uma coisa a parábola queria destacar, amava a ovelha tresmalhada, perdida nas brenhas, exposta aos predadores, e atrás dela se lançou disposto a todas as formas de sacrifício.

Adiante. São Lucas diz que todos os publicanos e pecadores ouviam a Cristo. Os judeus odiavam os publicanos, coletores de impostos para os romanos. De outro modo, drenavam riquezas de um povo pobre, eram agentes da dominação estrangeira em nação profundamente nacionalista. E os pecadores viviam de costas para a Lei. Os dois grupos atraíam o desprezo dos bem-pensantes, fariseus e mestres da lei.

De um lado, aparentemente a justiça, fria e implacável. De outro, o espírito da Lei Nova, colocando a misericórdia em extremos que poderiam parecer demasias.

No mesmo capítulo 15 está a parábola do filho pródigo; ela também pode provocar perplexidades. O filho gastador e irresponsável exige e recebe a herança inteira em vida. Vira as costas para os seus, some no mundo, queima o dinheiro em farras. O pai, todos os dias, deixa a casa e caminha pela estrada para ver se lá longe surgiria a silhueta do filho. Nada. Um dia o filho sumido volta pobre, faminto e humilhado: “Não sou mais digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos seus empregados”.

Resposta do pai: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés.Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado”. E começaram a celebrar o regresso.

A música estrondeava os ares, corriam soltos os festejos, o bom filho primogênito longe, labutava no campo paterno. Quando se aproximou da casa, surpreso se informou do que estava acontecendo e se enfureceu pela suposta injustiça gritante. Recusou-se então a participar da comemoração e ainda repreendeu o pai: “Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!”.

Demasias? De novo, a Lei Nova leva a misericórdia a extremos que, de fato, não destroem. Edificam. Vivificaram a Igreja, vivificaram a ordem temporal cristã, vivificaram famílias, levaram almas a realizar maravilhas inconcebíveis no mundo pagão. É a vida divina fluindo no meio dos homens.



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PARABÉNS, PROFESSOR! - Dom Ceslau Stanula

"Hoje é o dia do professor.  Parabéns aos estimados e queridos professores, tanto os da ativa como aposentados. A sociedade lhes deve um monumento de gratidão.




Se não tivéssemos professores, não teríamos médicos. advogados, políticos, padres, pesquisadores, nem administradores públicos, que não os respeitam, nem no seu salário. É uma lástima, a categoria tão importante na sociedade está tão desrespeitada: pelos alunos, pela sociedade, pela classe política. Quanto menos investimos na educação, quanto menos construímos escolas, tanto mais precisaremos construir cadeias.

 Parabéns, queridos professores.
Esta é minha mais sincera homenagem a todos vocês. Parabéns!
Como bouquet de flores perfumadas, lhes ofereço a minha estima e oração.

Dom Ceslau."

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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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