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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

22 DE NOV. 2018 - DIA MUNDIAL DE AÇÃO DE GRAÇAS




O Dia Mundial de Ação de Graças, ou Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day, em inglês), é celebrado na quarta quinta-feira de novembro. Em 2018, este dia cai no dia 22 de novembro.

Esse é um dia de agradecimento, em que além de expressar gratidão a Deus, as pessoas demonstram gratidão entre elas por tudo de bom que receberam ao longo do ano.

É um dos feriados mais importantes dos Estados Unidos e também do Canadá, juntamente com o Natal e Réveillon.

Nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças é um feriado comemorado em família, por isso, é comum as pessoas viajarem para se reunir com os seus familiares.

Há muita fartura e são consumidos pratos tradicionais, tal como peru, batata-doce, purê de batata e tortas de abóbora, maçã e nozes, entre outras iguarias.

Existe uma cerimônia em que o presidente americano perdoa dois perus. Isso quer dizer que ele livra esses animais da morte, já que milhões de perus são consumidos nessa ocasião.

No Brasil

A data foi instituída no Brasil pela Lei n.º 781, de 17 de agosto de 1949. No entanto, nem todos comemoram o Dia de Ação de Graças no País. Essa comemoração fica a cargo de algumas igrejas protestantes, bem como de famílias cuja origem seja norte-americana.

Origem
No início, a comemoração era feita no outono. Isso aconteceu em 1621, quando as pessoas organizaram uma festa para celebrar a colheita produtiva após terem tido um inverno bastante rigoroso.

Desde então, todos os anos havia festa para agradecer as boas colheitas.

Em 1863, o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln decretou oficialmente que a quarta quinta-feira de novembro seria o Dia de Ação de Graças.



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QUEM APAGOU A ESTRELA DO PT?




A estrela que brilhou em verde amarelo azul e branco na Barra da Tijuca Rj

 “Aquele que vence o seu inimigo é potente,  mas aquele que vence a si mesmo é iluminado”.
Ao retroceder um pouco no tempo ainda recordamos a estrela da esperança que unia tantas vozes em torno de um sonho. Artistas, operários, metalúrgicos, professores, crianças, jovens e idosos que em nome de um projeto de mudança não se cansava de cantar aquele refrão o qual denunciava o medo vencido de toda uma nação tão cansada de ser esquecida pelos nossos governantes e tão calejada pela miséria e as frustrações. Mas era em nome da mudança que em 2002 todos nós cantávamos assim:

“Lula lá, brilha uma estrela Lula lá, cresce a esperança Lula lá, o Brasil criança Na alegria de se abraçar Lula lá, com sinceridade Lula lá, com toda a certeza pra você Meu primeiro voto Pra fazer brilhar nossa estrela…”

Uma estrela que se acendia todas as vezes em que o nosso peito ardia e a esperança de dias melhores saltava dentro de cada um de nós que com os olhos tão iluminados pelo brilho daquela estrela tão propagada pelo partido dos trabalhadores aos poucos íamos perdendo o medo de ser feliz. E a palavra de ordem era essa mesma que nos fazia acreditar mesmo que a esperança havia vencido o medo.

Mas ilusões também se acabam e com o passar do tempo a nossa estrela foi se apagando e fazendo com que voltássemos a enxergar a escuridão da realidade em que vivemos hoje.

Milhões de pessoas desempregadas, médicos cubanos voltando para o seu país de origem, violência na nossas portas todos os dias, pessoas deprimidas pela falta do pão e a nossa estrela vermelha já não brilha mais como antes.

Mas quem foi que apagou a estrela do PT?

Representantes e pessoas ligadas à esquerda denunciam a todo instante que a eleição de Jair Bolsonaro pela maioria esmagadora que no segundo turno não hesitou em escolher o seu novo presidente, acusam o ex juiz Sergio Moro e o então presidente eleito como autores de uma estratégia para excluir Luís Inácio Lula da Silva da disputa à presidência da república.

Mas o que os denunciantes esquecem é que o povo brasileiro não é cego e só quem sofreu a agonia de ter os seus sonhos mutilados pela corrupção é que pode entender e recusar o mesmo modelo de governo que um dia matou as suas esperanças.

Não! Não foi Sergio Moro quem apagou a estrela do PT mas sim aquele grito preso na garganta de todos nós que de repente conseguiu se libertar acreditando que realmente ainda podemos ser feliz sem aquele discurso mentiroso escondido por trás de um projeto de poder.

Quando Fernando Henrique Cardoso deu o Brasil para Lula?

Ainda podemos recordar o ex presidente Fernando Henrique Cardoso com muito respeito preocupado em fazer a transição para um novo governo sem muitas inquietações e Lula muito feliz recebendo a faixa presidencial. Mas o que não sabíamos é que naquele momento o partido de Lula não desejava apenas colocar um líder no poder mas sim se tornar dono do Brasil.

Ora, se democracia deve ser um governante escolhido pela maioria do povo porque querer se sentir dono de um país e fazer o “diabo” para permanecer no poder como aconteceu em 2014 na eleição tão tumultuada de Dilma Rousseff?

O impeachment de Dilma Rousseff foi considerado pela liderança do PT e seus aliados como um golpe da direita e foi ali que a estrela do PT começou a se apagar e um novo raio de luz nascer quando Jair Bolsonaro votou a favor do impeachment da presidenta.

Uma estrela tão grande e tão reluzente jamais se apagaria se não houvesse tanta corrupção, tanta mentira, e tantas estratégias em nome de um projeto de poder e um raio de luz não ia brotar se todos nós não estivéssemos mergulhados em tamanha escuridão.

A estrela que brilhou em verde amarelo azul e branco na Barra da Tijuca Rj

A eleição de Jair Bolsonaro no último dia 28 de outubro 2018 fez raiar nos céus do Brasil a luz de uma nova esperança ofuscando assim a estrela vermelha do PT.A tempos não se via tanto patriotismo, tantos fogos de artifícios e tantas ideias em torno de um projeto que possa recuperar um país tão grande com a dimensão do Brasil e libertar um povo das garras da corrupção.

Sergio Moro agora é ministro da justiça, Jair Bolsonaro o nosso presidente eleito pela maioria, os integrantes do PT quase todos são notícias que nos impactam a todo momento mas, o mais importante de tudo isso é que o Brasil voltou a ser de todos nós e já podemos sonhar novamente.

O que esperamos de Jair Bolsonaro?

Mas se vencer os seus inimigos faz com que um homem se sinta forte e potente o que esperamos de Jair Bolsonaro? Que os seus inimigos sejam a fome, o desemprego, a injustiça contra os mais fracos, a mentira, o projeto de poder e todas aquelas ideologias que o PT carrega na sua bandeira tão desbotada.

E se vencer a si mesmo faz com que um homem se sinta iluminado teremos então a resposta que precisamos para os esquerdistas. O que apagou a estrela do PT foi simplesmente a falta de humildade de seus integrantes para reconhecer o quanto erraram com tantas estratégias diabólicas apenas com o intuito de serem donos de um povo que mesmo tendo um novo comandante no seu destino ainda precisa ser alimentado de esperança todas as vezes que grita: “Liberdade Liberdade abre as asas sobre nós”!



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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ABL: CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘O BARROQUISMO BRASILEIRO’ APRESENTA NA ABL PALESTRA DO JURISTA E EX-MINISTRO NELSON JOBIM



A Academia Brasileira de Letras dá continuidade a seu ciclo de conferências do mês de novembro de 2018, intitulado O barroquismo brasileiro, com palestra do jurista e ex-ministro Nelson Jobim. O tema escolhido para sua palestra será O juridiquês como legado barroquista. O evento está programado para quinta-feira, dia 22 de novembro, às17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. A coordenação é do Acadêmico e jornalista Merval Pereira. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

O ciclo terá mais uma palestra, no dia 29, quinta-feira, no mesmo local e horário, com Denise Maurano e o tema A arte e a alma barroca brasileira.

O CONFERENCISTA

Nelson Azevedo Jobim graduou-se, em 1968, como Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ocupou os cargos de membro e Presidente do Supremo Tribunal Federal de 1997 a 2006, Ministro da Justiça, Ministro da Defesa, Presidente do Conselho Nacional de Justiça e de Ministro e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Jobim atuou como advogado de 1969 a 1994; de 2006 a 2007; e de 2011 até 2016.

13/11/2018


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IMPRESSIONANTE: PAI REVELA AS 10 LIÇÕES QUE APRENDEU APÓS PERDER O FILHO DE 3 ANOS.




Após perder filho de  3 anos, homem escreve 10 regras que todo pai deveria seguir

Nem sempre a ordem da natureza é seguida como se espera ou gostaria e o filho pode partir antes dos pais, assim  como aconteceu com Richard Pringle, que teve de suportar o falecimento do filho por hemorragia cerebral, Hughie, de apenas 3 anos.

O pai fez um testemunho impressionantemente sensível no Facebook, após o luto de um ano do filho Hughie, em que compartilha 10 coisas que aprendeu desde que o menino partiu.

Veja as 10 regras que Richard Pringle criou:

#1 Você nunca pode beijar ou amar demais.

#2 Você sempre terá tempo. Pare o que você está fazendo, nem que seja por um minuto. Nada é tão importante que não possa espera.

#3 Tire o tanto de fotos e grave o máximo que você conseguir, porque um dia isso pode ser tudo que você terá.

#4 Não gaste dinheiro, gaste tempo. Você acha que o que você gasta importa? Não importa! O que importa é o que você faz. Pule em pula-pula, caminhe, nade no mar, construa um acampamento, divirta-se. Isso é tudo que eles querem. Eu não lembro nada que comprei para o meu filho, só o que eu fiz.

#5 Cante junto. Minhas memórias mais felizes com meu filho é ele nos meus ombros ou no carro e nós cantando nossas músicas favoritas. Memórias são criadas com música.

#6 Aprecie as pequenas coisas. Ficar junto a noite, colocar para dormir, ler histórias, jantares juntos, preguiça de domingo. Aprecie os momentos pequenos. Eles são os que eu tenho mais saudade. Não os deixem passar desapercebidos.

#7 Sempre dê um beijo de despedida nas pessoas que você ama. E se você esquecer volte e os beije. Você nunca sabe quando será a última vez que você terá essa chance.

#8 Faça as coisas chatas ficarem divertidas. Seja bobo, conte piadas, ria, sorria e divirtam-se. Elas serão tarefas chatas só se você as fizer assim. A vida é muito curta para não se divertir.

#9 Mantenha um diário. Anote tudo o que seu pequeno fizer. As coisas engraçadas que eles falam, as coisas fofas que eles fazem. Nós só fizemos essas coisas depois que Hughie se foi. A gente queria se lembrar de tudo. Agora nós fazemos isso por Hettie e vamos ter tudo escrito para quando nós formos mais velhos teremos essas coisas para olhar.

#10 Se você tem seu filho com você, lhe dê um beijo de boa noite. Coma café da manhã com ele, leve-o na escola, na faculdade, o veja se casando. Você é abençoado. Nunca se esqueça disso.



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

A ARTE DA DELEGAÇÃO por Joaci Góes


A arte da delegação

 Ao advogado e querido amigo Rubens Pessoa.

Pela qualidade da equipe que vem escalando, pode-se afirmar, sem risco de contestação, que o Presidente Jair Bolsonaro é um discípulo exemplar do megaempresário norte-americano, nascido na Escócia, Andrew Carnegie (1835-1919), considerado o expoente das boas técnicas de delegação que o levaram de rapaz pobre a um dos homens mais ricos do mundo, liderando em campos vitais como a exploração de petróleo e produção de aço. 

O epitáfio por ele escrito, para encimar o seu túmulo, reza: “Aqui jaz um homem que soube se cercar de pessoas melhores do que ele próprio”. Ao dividir o exercício do poder com gente do calibre de Sérgio Moro e Paulo Guedes, Bolsonaro segue, também, a avaliação de Carnegie, segundo quem “Não será líder quem quiser fazer tudo solitariamente, ou ganhar todos os créditos pelas conquistas alcançadas”.

No processo em curso da formação do Ministério, a cada dia enriquecido com nomes acima de qualquer suspeita, o Presidente eleito vai batendo novos recordes, que se somam aos já conquistados. Com efeito, não se conhece precedente, na história da humanidade de quem tenha chegado ao poder, por via democrática, de modo tão solitário, sem qualquer dos componentes reputados indispensáveis à realização desse difícil e ambicionado mister, como dinheiro, apoio político, apoio da mídia, tempo de televisão. 

A candidatura Bolsonaro, a exemplo do processo de formação dos grandes rios  - que se iniciam por pequenos regatos que se vão acrescendo de novos afluentes -, começou com encontros com pequenos grupos que, convertidos em apóstolos da causa, incorporaram multidões crescentes, que desembocaram com força indomável no largo oceano da adolescente, mas sólida, democracia brasileira. Albert Einstein cunhou uma reflexão que explica o fenômeno Bolsonaro: “Há uma força motriz mais poderosa do que o vapor, a eletricidade e a energia atômica; é a força da vontade”.

Não se conhece, igualmente, na história brasileira, na linha dos ensinamentos de Andrew Carnegie, precedente de quem haja, tão voluntariamente, fracionado o próprio poder, atraindo para sua equipe, sem medo de sombras, nomes que usufruem do mais alto prestígio dentro e fora do País. Até então, quem mais havia realizado, no particular, foi o Presidente Rodrigues Alves que só aceitava, para compor o seu ministério, quem, segundo seu juízo, dispusesse de atributos para exercer a Presidência da República.

No plano estadual, o saudoso governador de São Paulo, Franco Montoro, valeu-se desse saudável princípio, só convidando para compor o seu secretariado quem tivesse atributos para governar o seu grande Estado. Sinal, indisfarçável, de confiança e vocação para a grandeza. O resto é preconceito ou despeito dos que querem o aumento das agruras do povo brasileiro, desde que isso os conduza de volta ao poder de que foram defenestrados por excessos de descompostura na gestão do interesse público.

Os brasileiros, em geral, sobretudo os que integram o partido do quanto pior melhor, também, deveriam seguir o sábio e definitivo conselho de Andrew Carnegie: “À proporção que amadureço, presto menos atenção no que as pessoas dizem, e passo a atentar no que fazem”.

É mais do que hora de reconhecermos o excelente começo do novo Presidente, deixando de enfatizar o que de impróprio ele haja dito e focar no que ele está fazendo. Desejar-lhe boa sorte é o mesmo que desejar boa sorte ao Brasil. Torcer contra o novo governo é torcer, sobretudo, contra as populações mais carentes do nosso desditoso País!

Sobre a discutida decisão do juiz Sérgio Moro ao aceitar ser Ministro da Justiça, ficamos com a conclusão expressa em vídeo que circula mundo afora: - Sérgio Moro não deixou a Justiça para ingressar na política (com minúscula); ele ingressou na Política (com maiúscula) para fazer JUSTIÇA.


Joaci Góes

15/11/2018, no jornal A Tribuna da Bahia.

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ABL: MARIO GUERREIRO, PROFESSOR E FILÓSOFO, FAZ NA ABL A SEGUNDA PALESTRA DO CICLO ‘O BARROQUISMO BRASILEIRO’



A Academia Brasileira de Letras dá continuidade a seu ciclo de conferências do mês de novembro de 2018, intitulado O barroquismo brasileiro, com palestra do professor, filósofo, escritor e pesquisador Mario Guerreiro. O tema escolhido para sua palestra será Persuasão ou convencimento? O evento foi realizado na quinta-feira, dia 8 de novembro, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.

Foram fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Sobre a conferência, Mario Guerreiro adiantou: “Está em jogo a Teoria da Argumentação no contexto da Filosofia de Platão em que os conceitos de persuasão e de convencimento desempenham um papel crucial. Procuramos compreender a natureza da polêmica entre Sócrates e os sofistas considerada paradigmática de todos os desempenhos argumentativos em que é o caso da conquista do assentimento do interlocutor, quer se trate do discurso da Filosofia, do Direito, da Política ou em qualquer outro lugar em que haja diálogo e argumentação”.

O ciclo terá mais duas palestras nas quintas-feiras de novembro, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 22, Nelson Jobim, O juridiquês como legado barroquista; e 29, Denise Maurano, A arte e a alma barroca brasileira.


O CONFERENCISTA

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. Foi professor do Departamento de Filosofia da UFRJ. Ex-pesquisador do CNPq; ex-membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos]; e membro fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica.

Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 2002) Apresentou 78 comunicações em encontros acadêmicos e publicou 49 artigos.

01/11/2018

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POEMAS DO NEGRO Por Cyro de Mattos (DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA)

Poemas do Negro
Cyro de Mattos

Abolição

Na zoeira do terreiro
Batucam que batucam
Tambores sem cambão.

Trepidam nesses punhos
O suor, a lágrima, o sangue
Nos rastros do negro fujão.

Todos batem nesse tambor,
Pode até não ser de fato
A tão esperada abolição.

Mas é o começo duma hora
Que se faz tão grandiosa
Como o verde na amplidão.

 África agora é uma só voz
Na esperança das manhãs
Sem o ferro do vilão.

..........

Canga

Não se logra extrair
Os ossos dessa massa,
Os músculos mutilados
No esforço dos anos.
Tuas mãos, escravas,
Alimentadas na turva
Ferida, dor sem cura.

A atrocidade no ferro
Que furou o coração,
 A enchente na vala
Que transbordou de mágoa,
Nuvens não tocadas. 
Nunca será paga a conta
Na mancha que envergonha.

Como herança os rastros
Dessa noite escura na pele
Que te lança nos muros,
Agarra-te  nas  manhãs
Com sua claridade vista
Apenas pelos não pretos.
Até quando barreiras
De tua  cor opaca farão
Da vida  uma coisa qualquer, 
Desigual, desvão sem canto?

................

Pelourinho

Como suportar?
Treze... trinta... cinquenta...
Até o último gemido.

Os outros olhando
Cada chibatada. Tristes,
Sem nada fazer.    

Ladeiras gastas.
E esse vento que recusa  
Ao largo a desgraça.

..........

Escravo

Uma mão
Feito casca
Não lava
A outra
Feito lixa.

Ásperas
As duas
Feito bucha
Limpam
As duas
No esmero
Do senhor.

Limpam
As sobras
Ou  largura
Depois de lá
De dó em dó.

Perto
De o dia
Clarear
Até o sol 
Morrer.

...............
Zumbi

Falo Zumbi,
Digo Palmares,
Ritmo da liberdade.
Falo Zumbi,
Digo Palmares,
Batuque da igualdade.
Falo Zumbi,
Digo Palmares,
Manual da fraternidade.
Falo Zumbi,
Digo Palmares
Sem o açúcar insaciável.
Falo Zumbi,
Digo Palmares,
Gente em grito, indignada.
Falo Zumbi,
Digo Palmares,
No abismo a África salta.

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Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista, romancista, poeta e autor de livros para crianças. Publicado em Portugal, Itália, França, Espanha, Alemanha, Rússia, Dinamarca, México e Estados Unidos. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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