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quarta-feira, 16 de maio de 2018

FREI JOAQUIM CAMELI, A SERVIÇO DE DEUS E DOS HOMENS

Foto: Portal Católico

Ligue o vídeo abaixo:

Em Ripatransone, Itália,
Dia primeiro de Abril,
Mil novecentos e trinta,
Nasceu vivaz e gentil;
Veio pensado por Deus,
Que levou os passos seus
Rumo à missão no Brasil!

A dezenove de abril, (1)
Filho de Lavínia e Sante,
Recebeu nome: Giuseppe,
Na Igreja militante;
Pelo batismo de Luz
E pelo amor de Jesus
Foi recebido o infante.

No templo do lar materno,
Aos onze anos de vida,
Pelo chamado de Deus
Sentiu sua alma atraída:
Giuseppe!... Giuseppe!... E ao Eterno,
Ao Seu amor sempiterno
Entregou-se sem medida.

Foi a quatro de Outubro, (2)
Dia do Santo de Assis,
Que entrou no Seminário
Dos Capuchinos – assim quis;
E, na cidade de Fano,
O rapaz consciente e ufano
Foi muito forte e feliz.

Já no seu noviciado, (3)
Que se deu em Camerino,
Mudou de nome Giuseppe,
Deixando de ser menino:
Assim, Joaquim seria
Igual ao pai de Maria,
Mãe de Jesus – seu destino!

E cursou Filosofia (4)
Em Ancona, bela cidade;
Teologia em Loreto, (5)
Muito estudo e atividade;
Com obediência e temor
Exercia com louvor
O valor da caridade!

Aos dezoito de Dezembro (6)
Deu-se sua Ordenação
Na cidade de Loreto,
Para a sublime missão;
Destemido, sem vertigem,
No Santuário da Virgem
Consolidou a vocação.

Dois anos depois, Joaquim,
Chega às terras do Brasil,
Coração missionário
Em tempo bom ou hostil.
Cidade de Salvador,
Depois Feira de Santana,
Com a coragem espartana
E confiança varonil!

Deixou a terra natal
Zero grau – em pleno inverno,
Chegando ao Rio de Janeiro,
40 graus – tira o terno;
Itália, a sua nação,
Brasileiro por opção,
Missionário do Eterno!

Ensinou francês, latim,
História e geografia.
Na área educacional
Atuou com maestria;
Dali foi pra Jaguaquara,
Onde, educando, doara
O seu saber com alegria!

Praticou com muito zelo
As Virtudes Teologais
Mantendo a Fé, a Esperança,
E a Caridade, essenciais;
Irmão da Santa Pobreza,
Teve o Amor por riqueza,
PAZ E BEM seus ideais...

Como terna mãe que embala,
Corrigia com carinho;
Longe de jugo ou porfia,
Indicava o bom caminho.
Foi prudente e perspicaz,
Nunca tirano ou mendaz
E nunca esteve sozinho.


Homem leal, para o qual
“Tempestade era chuvisco”,
Frei Joaquim foi fortaleza,
Mas, como a gazela, arisco;
Diligente educador,
Tão clemente confessor,
Ideal de São Francisco.

Transferido pra Itabuna,
Teve a ditosa missão:
Substituir Frei Justo
Na Igreja da Conceição;
Ali atuou demais
Em atividades pastorais,
Sonho do seu coração...

Mas... “Santa Rita de Cássia”
Já brotando igual jasmim,
Surgia recém-criada
E parecia um jardim:
Seu primeiro jardineiro,
Que lhe deu jeito altaneiro,
Foi quem?! – o Frei Joaquim!


E o jovem missionário
Não se sentiu inseguro,
Gostava de criar ponte
E jogar ao chão o muro,
Em dois anos, fé e expensas,
Naquelas áreas extensas
Inaugurou o futuro!

Dava atenção aos mais fracos,
Pra não viverem de esmolas,
Protegia sempre a todos
- Brancos, índios, quilombolas;
Com atitudes tão belas
Permitiu que nas capelas
Funcionassem escolas!

Nessa Paróquia atuou,
Irradiando a virtude;
Orando em favor das almas
Atingiu a plenitude;
Amparar foi seu anseio,
Da Igreja foi esteio
Desde a tenra juventude!


Foi uma graça de Deus
Nas várias comunidades
Da Paróquia Santa Rita
E doutras localidades.
Quem o conheceu de perto
Sentiu e viveu decerto
Enorme felicidade!

Obediente ao Senhor,
Foi honra para os conventos.
Foram de paz e ternura
Os seus melhores momentos;
De alma imensa e festiva,
Construiu a Igreja viva
E foi construtor de templos!

Em Itabuna construiu,
Em cada comunidade,
Muitas e belas capelas
Que enriqueceram a cidade,
Desde o singelo oratório
Até o tão meritório
Santuário da Piedade!


Construiu a ‘Piedade’
E pra Medelín viajou.
Passou por lá algum tempo
E, quando, enfim, regressou,
Teve a alma contristada
Vendo a igreja depredada,
E Frei Joaquim chorou!...

Dedicou à Virgem Mãe
Templos de fé e acolhida:
Vitórias, Do Carmo, Lourdes,
Das Dores, Aparecida,
E Nossa Senhora Das Graças;
Que ali, ferrugem ou traças,
Jamais encontrem guarida.

Construiu outras igrejas
Dedicando com carinho:
Ao Coração de Jesus,
E ao grande Santo Agostinho,
Bom Jesus, Santa Luzia,
Pois ao povo pretendia
Demarcar o bom caminho.


Deixar o mundo feliz
Foi a sua meta, enfim;
E ergueu novas igrejas:
Para o Senhor do Bomfim,
Santos Cosme e Damião,
Também São Sebastião
- Igreja é refúgio, sim!

O paciente missionário
Não endureceu a cerviz;
Franciscano construtor,
Alma temente e feliz,
Não edificou por acaso
A igreja no Banco Raso
Pra São Francisco de Assis!

Confessor hábil e clemente,
Tirou almas de prisões,
Sorrindo lhes dava a bênção
Alegrando corações;
Já no final da “peleja”,
Só almejava ir à igreja
Atender às confissões.


Recebeu o honroso título
De Cidadão de Itabuna. (7)
Dos fracos foi defensor
Nesta plaga Grapiúna.
Comendador duas vezes, (8)
Enfrentou ímpios reveses,
O altar foi sua tribuna.

E Frei Joaquim Cameli
É também nome de rua, (9)
E no Hospital de Base
A homenagem continua,
Com seu nome em uma ala
Onde a esperança ainda fala
Da paz da mensagem sua!

Poeta da irmã Pobreza,
Que sempre doa o que tem;
Militante do Evangelho,
Frei Joaquim foi além:
Teve coração de atleta
E decisão de profeta,
Arauto de ‘PAZ E BEM’!


Repousou sobre seus ombros
A tarefa de ser lume,
Sua verve de guerreiro
Fez dissipar o negrume;
Com paciência sorria.
Com competência servia
- servir era o seu costume!

Em 2017, (10)
Partiu pra longe dos seus,
Deixando Itabuna em prantos
Foi para a festa nos céus;
Combatente de alma mansa,
Enfim, Frei Joaquim descansa,
Aos pés do trono de Deus!

E Frei Joaquim Cameli,
Que está na Santa Mansão,
Descansa atento aos aflitos
Em carinhosa atenção;
Seu coração solidário
Foi do Cristo-pão, sacrário.
Não padeceu solidão.


O pobrezinho missionário
Legou riqueza infinita:
“Combateu o bom combate”
Manteve a alma bonita.
Homem virtuoso, enorme,
O seu corpo agora dorme
Na igreja de Santa Rita. (11)

Há de elevar-se aos altares
Da Igreja de Jesus
Ele, que deu esperança,
Foi animação, foi luz,
Paciente, alegre e manso,
Fez da missão seu remanso,
Jamais se queixou da cruz...

Desvelo com a juventude
Que na vida corre risco;
Fiel apascentador
Das ovelhas do aprisco.
No seu carisma eu invisto:
São Francisco – “um novo Cristo”,
Frei Joaquim, - “novo Francisco”!


A Paróquia Santa Rita
Inaugura soberana
Monumento ao Frei Joaquim,
Com a emoção que emana,
Do afeto e do respeito.
Com a devoção e preito
Da Família Franciscana!

Roga por nosso triunfo
O confessor Frei Joaquim,
Cujo viver nos mostrou
Que é o homem do “sim”
Ao Deus que ama e perdoa,
À Caridade que doa
E ao encanto do amor sem fim!
 ===
Poetisa: Eglê Santos Machado (OFS)
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Revisão: Profa. Laura Gonzaga de Aquino Souza
Motivador: Antônio Carlos Saadi
Itabuna-BA. 03 de abril de 2018


PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA
Rua Juarez Távora, S/N, São Caetano, CEP: 45.607-410 Itabuna/BA.
Pároco Frei José Genilton Costa dos Santos Fone: (73) 3617-2722 E-mail: santaritadecassia@ig.com.br
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(1) – 1930
(2) - 1941
(3) - De 1947 a 1948
(4) - 1949
(5) - De 1952 a 1954
(6) - 1954
(7) – 1983
(8) – Comendas São José e Firmino Alves
(9) – Rua Frei Joaquim Cameli, bairro Pedro Gerônimo
(10) – 10 de Julho
(11) – Itabuna /BA.


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terça-feira, 15 de maio de 2018

ABL: ROBERTO CORRÊA DOS SANTOS FAZ NA ABL A TERCEIRA PALESTRA DO CICLO ‘LITERATURA E LOUCURA’


O semiólogo, professor e pesquisador Roberto Corrêa dos Santos faz, na Academia Brasileira de Letras, a terceira palestra do ciclo de conferências Literatura e loucura, intitulada O abismo e o obstáculo: observações pontuais de Clarice Lispector, Virginia Woolf e Jacques Rivière sobre a [lou] [cura], sob coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres. O evento está programado para quinta-feira, dia 17 de maio, às17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Roberto Corrêa dos Santos adiantou, sucintamente, o que pretende expor em sua conferência: “Pequeno exame de como três escritores (Clarice Lispector, Virginia Woolf, Jacques Rivière) expõem, de modo clínico, literário e filosófico, a questão da loucura em seus vínculos com processos relativos à história privada, à formação das subjetividades e, bem especialmente, ao tanto de abertura ou ao tanto de restrição que se dê ao exercício do pensamento”.

O CONFERENCISTA

Roberto Corrêa dos Santos, semiólogo e teórico da arte, atua como professor de Teoria da Arte e de Estética nos cursos de graduação e de pós-graduação do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tendo sido também professor da PUC-Rio e da UFRJ. Pesquisador do CNPq e Procientista pelo Programa Prociência (UERJ/FAPERJ), com pós-doutorado no Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC-SP, publicou e vem publicando: livros sobre teoria tanto da arte quanto da literatura, livros de poesia e livros de artista.

11/05/2018


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JESUS, MÉDICO DE ALMAS E HOMENS


Quando falta amor, falta harmonia, daí vem o desequilíbrio em nossas vidas, e ficamos doentes, e a enfermidade é apenas uma maneira da natureza, do universo falar conosco…

Nunca devemos tratar apenas os sintomas de nossas enfermidades, sem que a causa ou as causas que a desencadearam também sejam tratadas e extintas, porque na realidade a cura se processa de dentro pra fora, do interior para o exterior…

Quando for ao médico, diga a ele que seu peito dói, mas diga que sua dor, é de angustia, decepção e tristeza, diga também que você anda com azia, e que também desconfia que o motivo pode ser o seu gênio irracional, que por isso aumenta a produção de ácidos e enzimas no estômago…

Diga a seu médico que por causa da rebeldia, da teimosia, você está obeso, provavelmente hipertenso e com diabetes, porém, não deixe de dizer também que não está encontrando mais alegrias nem doçura em sua vida e que essa amargura torna muito difícil suportar o peso de suas frustrações…

Já que o paciente não deve esconder nada de seu médico, então mencione a ele que você sofre de enxaqueca, dores de cabeça horríveis que te privam da luz em detrimento da escuridão, mas não deixe de confessar que sofre de uma neurose feroz, com seu perfeccionismo, com sua autocrítica, e que é sensível demais a critica alheia e que é muito ansioso, que ataca a geladeira quando ninguém está observando, que come e bebe coisinhas proibidas!

Ninguém gosta de sofrer, todos querem se curar, mas poucos são aqueles, que estão dispostos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o vírus do egoísmo.

Diante da possibilidade da morte, alguns até prometem mudar de vida, procuram a cura de um câncer, mas não tem coragem de abrir mão de uma simples mágoa.

Quantos sofrem do coração e pretendem a desobstrução das artérias coronárias, mas, querem continuar com o peito fechado pelo rancor, pela agressividade, e até pela vingança!

Almejam a cura de problemas oculares, alguns ficam cegos pelo ódio, tropeçam na vaidade que lhes obscurece a visão, todavia não retiram dos próprios olhos, o argueiro, o obstáculo da crítica e da maledicência…

E a depressão então, o mal do século, a síndrome do pânico, quantos pedem a solução para esses problemas, entretanto não abrem mão do orgulho ferido e do forte sentimento de decepção, que lhes abate a existência, em relação às perdas experimentadas no trajeto da vida…

Suplicam auxilio para os problemas tão comuns de tireoide, mas não cuidam de suas frustrações, de seus ressentimentos, observam as horas, os dias passarem, a vida se vai e não levantam a voz para expressarem suas legítimas necessidades…

Imploram a cura de um nódulo de mama, de um câncer na próstata, que lhes frustra toda perspectiva exatamente no fulcro da vida, todavia insistem em manter bloqueada a ternura e a afetividade, por conta das feridas emocionais do passado…

A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.

O resfriado ocorre e o nariz escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope, provoca a afonia quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde, queima, provoca indigestões quando as raivas não podem ser digeridas.

O diabetes amarga, invade o corpo quando a solidão dói demais.

O corpo engorda quando a insatisfação aperta, e a esperança rareia…

A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.

O coração desiste, bate fora de rumo quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas equívocas, existem semáforos chamados amigos, luzes de precaução chamadas família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada decisão, um potente motor chamado amor, um bom seguro chamado fé, e um abundante combustível chamado paciência.

Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS…

A peregrinação aos consultórios é extenuante, mas não para por aí, depois, em último lugar, apelam para Deus, clamam pela intercessão divina, em certos lugares blasfemam, gritam, porém permanecem surdos aos pedidos de socorro que partem de pessoas muito próximas de si.

Toda cura é sempre uma auto cura, começa na alma, no perispírito, refletindo para o corpo físico e o Evangelho de Jesus é a farmácia onde encontramos os remédios que nos curam por dentro e por fora!

Há dois mil anos esses medicamentos estão à nossa disposição, quando nos decidiremos?

Fonte: Do livro “O Médico Jesus”, de José Carlos de Lucca.
Mensagem escrita e modificada sob a ótica e emoção de Reinaldo Mendes da Silva.


* * *

O QUE É, PASSARINHO? – Marília Benício dos Santos


Quantos anos passados!

É bom recordar o passado. Não viver dele, pois isto não nos leva a nada.

Neste momento resolvi dar uma marcha à ré no tempo.
Vejo aquele menino com os cabelos encaracolados, muito dengoso, quase chorando a perguntar: “o que é, passarinho?”

E quem era o passarinho? Não era um passarinho, era um papagaio que insistia toda manhã em chamar pelo Oscar: ”Oscar... Oscar...”
E o Kaká, como era chamado pelos pais queridos, naquela manhã resolveu responder ao papagaio: “o que é, passarinho?”

E agora, Oscar?

Os anos passaram agora você é homem maduro. Agora você não vai mais dizer: “o que é, passarinho?”.

Não só você, mas todos nós devemos dizer: “o que é, meu Deus?”.O que queres de mim?

Uma criança tem sempre sensibilidade, mas com a vida, esta sensibilidade é enferrujada. Precisamos voltar a ser criança e descobrir Deus nos pássaros, no mar, nas estrelas, mas principalmente, dentro de nós.

A páscoa está aí, é uma oportunidade para desenferrujarmos, colocar óleo, fazer como os motoristas, uma revisão no motor e para isto, precisamos parar. Parar, entrar em nós mesmos e tentar descobrir Deus aí, Ele nos fala, só que nós não O ouvimos. Só ouvimos o som que vem de fora. Se estivermos atentos, passaremos a ouvi-lo e poderemos dizer como Samuel: “Senhor, fala que seu filho escuta...”. (I Samuel  3, 14)

(CARROSSEL)  
Marília Benício dos Santos

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

DOIS CRAQUES GRAPIÚNAS NA ELITE DO FUTEBOL BRASILEIRO - Cyro de Mattos


                      

          Refiro-me a Nandinho e Tuta, dois jogadores grapiúnas que brilharam   na elite do futebol brasileiro,  na  época do pré-estádio do Maracanã. Os jogos mais importantes no Rio eram realizados  até então em São Januário, o maior estádio de futebol carioca. O futebol nacional vivia a transição do amadorismo  para o profissional.
  
            O jogador Nandinho atuou  no Flamengo, formando com Zizinho e Pirilo o célebre  trio do primeiro  tricampeonato do rubro-negro carioca. No entanto, deu   seus primeiros passos no caminho do futebol jogando pelada no campo das pastagens de Berilo Guimarães, em Itabuna.  Foi para Salvador e ingressou no time juvenil do Bahia onde mais tarde faria parte da equipe profissional. Sagrou-se campeão no time profissional do tricolor baiano em 1940. Quando retornava a Itabuna, treinava para manter a forma no Campo da Desportiva.  Do Bahia transferiu-se para o Flamengo. Depois de passagem destacada no rubro-negro carioca foi jogar no América mineiro onde se sagrou campeão e  se tornou ídolo em  várias temporadas.

            O jogador Tuta veio de Uruçuca, antiga Água Preta.  Atuou  no futebol de Ilhéus e  de Itabuna, onde vestiu a camisa da Associação, poderoso time que dominou o futebol amador do  Sul da Bahia na década de  40.  Foi jogar em Salvador no Bahia e, no tricolor baiano,  sagrou-se  também campeão. De lá chegou ao Vasco da Gama, na época em que o   esquadrão de  São Januário   formou  um dos times mais importante de sua história, conhecido como  Expresso da Vitória.  Nessa equipe lendária,   jogavam  Barbosa, Augusto, Ely, Danilo, Friaça,  Ademir Menezes e Chico, que foram servir à Seleção Brasileira de 1950, vice-campeã mundial.
 
            Importa lembrar que o  grande derby do futebol mineiro era América  e Atlético até meados de 1960. O Cruzeiro ainda não havia surgido como uma potência do futebol brasileiro, com aquele famoso time integrado pelo goleiro  Raul,  os craques Tostão e  Dirceu Lopes, Natal, Zé Carlos e  Euvaldo. O América chegou a se sagrar  dez vezes campeão na época que o seu grande rival  era o Atlético.

            Para comemorar a reinauguração do Estádio da Alameda, modernizado e ampliado em março de 1948, de cinco mil para 15 mil espectadores, o América  promoveu um torneio quadrangular, que ficou conhecido como o  Torneio dos Campeões. A disputa reuniu os campeões estaduais de Rio de Janeiro (Vasco), de São Paulo, representado pelo São Paulo, Minas Gerais pelo Atlético, campeão dois anos antes, além do anfitrião América, que se sagrou campeão do torneio e de  Minas Gerais, no final daquele ano.
 
            Nandinho fez parte do esquadrão do América,  campeão mineiro em 1948, que tinha como técnico o polêmico Yustrich. Já  Tuta jogou no  Vasco da Gama, que tinha como técnico Flávio Costa,  no Torneio dos Campeões , realizado  naquele mesmo ano em Belo Horizonte

América -  Campeão Mineiro - 1948

Em pé : Humaitá , Lazzarotti,  Esteves, Aldo Gaia,
        Lusitano. Agachados:  Valinho,  Nandinho, 
             Fernando, Celso,  Murilinho


Vasco da Gama – Torneio dos Campeões – Minas Gerais - 1948
                
Em pé: Rafanelli, Barbosa, Augusto, Ely, Jorge e Danilo; Agachados:  Djalma, Maneca, Friaça, Tuta,  Chico e o massagista Mário Américo.

              
            Enquanto isso,  em 1949 o time  do Arsenal, o mais popular da Inglaterra,   fez uma excursão ao Brasil onde em São Paulo enfrentou o  Corinthians, derrotando-o,  e o Palmeira, que conseguiu um empate a duras penas. Restava enfrentar o Vasco e o Flamengo no São Januário, o gigante da colina.   Na noite de 25 de maio de 1949, uma quarta-feira, São Januário recebeu o maior público de sua história, no amistoso entre o Vasco e o Arsenal.

            A excursão do time britânico era cercada de grande expectativa.  Havia uma mística, que corria no tempo,   alardeando  que o time britânico era o melhor do mundo, e os próprios ingleses julgavam-se  os donos do futebol, pois foram eles os inventores desse esporte.  Por tudo isso, a partida entre Vasco e Arsenal foi cercada de um interesse  enorme, adquirindo até um sabor de decisão de mundial de clubes,  uma vez que,  no ano anterior, o Vasco havia conquistado o título de campeão sul-americano  invicto, no torneio realizado no Chile. Para enfrentar o time da Inglaterra, o  Vasco (foto abaixo) entrou em campo com uma das formações mais fortes da sua história, saindo vencedor da partida  por um a zero, gol de Nestor aos 33 minutos do segundo tempo.
E o baiano grapiúna  Tuta participou desse time lendário do gigante da colina.
           
Time do Vasco da Gama que Derrotou o Arsenal em 1949

Em pé, Eli, Augusto, Jorge, Danilo, Barbosa e Sampaio; agachados, Mário   Américo  (massagista), Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Tuta.


*Grapiúna é aquele que nasceu  no Sul da Bahia, na época da conquista da terra e do povoamento. E o que se identifica com uma civilização singular forjada pela lavoura do cacau, ao longo dos anos.
===

** Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Membro efetivo  do Pen Clube do Brasil e Academia de Letras da Bahia. Premiado no Brasil,  Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália,  França, Alemanha e Espanha. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia)

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OS 130 ANOS DA ABOLIÇÃO – Marco Antonio Villa


11/maio/18

O Brasil novamente vai ignorar uma importante efeméride: os 130 anos da abolição da escravatura. O 13 de maio de 1888 foi uma ruptura revolucionária em um País marcado pelo conservadorismo, pela conciliação entre as elites, pela enorme dificuldade de enfrentar as graves contradições sociais. Não é possível falar da abolição sem recordar o primeiro movimento de massas da nossa história: o abolicionismo. A mobilização popular nos anos 1880 foi fantástica. Jornais, panfletos, livros — o célebre “O Abolicionismo”, de Joaquim Nabuco, foi um marco —, reuniões, músicas, peças teatrais, passeatas, transformaram a última década do Império em um momento especial. O abolicionismo entusiasmou o Brasil. Três províncias — como eram chamados os estados durante o período imperial – aboliram a escravidão muito antes da Lei Áurea (denominação dada por José do Patrocínio): Amazonas, Ceará e Rio Grande do Sul. No Ceará — a primeira província a abolir a escravidão —, a grande figura foi Francisco José do Nascimento, o dragão do mar. Liderou os jangadeiros que se recusaram transportar escravos para os navios que se dirigiam ao sul do País.

Nas principais cidades foram formadas associações que lutaram pelo fim da escravidão. Em São Paulo marcou época a Sociedade dos Caifazes, liderada por Antônio Bento, que, com o apoio dos ferroviários, transportou milhares de escravos fugitivos para o quilombo do Jabaquara, em Santos. Raul Pompeia e mais 80 colegas abolicionistas foram obrigados a terminar o curso de Direito em Recife, tendo em vista a perseguição que sofreram por parte de professores escravocratas das Arcadas.

Com a República, o 13 de maio acabou entrando no calendário dos feriados cívicos. Foi passando o tempo e a data acabou sendo esquecida. Mais que a data, o acontecimento, seu significado para a nossa história — não custa recordar que o Brasil foi o último país a abolir a escravidão no continente americano — foi apagado, como se não tivesse importância. Como se a abolição fosse uma concessão da elite dominante e não produto da maior mobilização popular que o País tinha assistido até então.

Hoje, com o domínio da (medíocre) sociologia produzida nos EUA, falar no 13 de maio é considerado démodé. Os ventríloquos do novo imperialismo cultural querem fomentar uma guerra racial. Até os negros não são mais brasileiros; agora são afrodescendentes.



Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos (1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993). É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia (USP) e Doutor em História (USP)

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